8 de dezembro de 2011
É pura paixão (não insônia!)
25 de outubro de 2011
O melhor de mim
Saudade não dói
"Em busca da coxinha perfeita"
Do que você tem medo? de si próprio?
Sorrisos
Abrir ou não a caixa de Pandora?
"Você não é um super-herói, Daniel"
8 de agosto de 2011
Texto antigo de 2009
VISCERAL
Uma coisa que eu já notei ao longo desses 18, 19 meses em que eu escrevo em blogs é a forma como as pessoas reagem a determinados textos. Na maior parte das vezes, os leitores se impressionam mais com posts onde abordo pensamentos meus, ou ideias sobre o comportamento humano. Acho que porque pondero e falo aquilo que muitos pensam ou gostariam de dizer, mas nem sempre encontram palavras ou a coragem para se expor assim, tão abertamente. Falar o que sentimos ou guardamos dentro de nós para outras pessoas não é uma tarefa fácil, exige respeito com as nossas verdades (que nem sempre são absolutas), sabedoria para saber usar as palavras certas, na hora certa, prudência para não causar mágoas e principalmente determinação para saber arcar com as conseqüências. Sim, porque se pensamos e agimos de determinada forma, temos que saber assumir essas nossas posturas perante os outros.
Longe de eu ser pretensioso em achar que posso ter todo esse discernimento para agir ou usar as palavras, pelo contrário. Tenho qualidades e defeitos como qualquer um, mas não tenho medo de assumi-los e com isso tentar me tornar uma pessoa melhor, comigo mesmo e com as pessoas que eu amo. Ainda assim, falo, falo, falo... e escrevo. Como eu gosto de escrever o que sinto e vejo nesse mundo!!! Escrevo porque corre em mim essa vontade imensa de me transbordar através das palavras. Não quero me limitar ao prático, ao conveniente. Facilitaria meu convívio com as pessoas, mas não seria eu, Daniel. Porque sou assim, intenso, visceral, apaixonado, passional que deixo aqui registrado as coisas que vocês leem. Porque assim é a vida também. Intensa. Basta a gente não ter medo de assumir o que pensamos, o que fazemos, o que desejamos, o que nos incomoda ou nos alegra.
14 de outubro de 2010
Orgulho e preconceito
9 de outubro de 2010
Sorrisos
30 de setembro de 2010
Onde está o problema?
4 de agosto de 2010
Soberba ou ignorância
Tem coisas que me deixam meio revoltado. Independentemente desse meu desejo de mudar o mundo, certas coisas vão contra a visão que eu tenho da humanidade e do que espero dela, e do que ela deveria esperar de mim. Por essa razão me debato contra certos discursos indutivistas ou mesmo vazios. Discursos "competentes". Tenho sérias restrições, por exemplo, sobre determinados argumentos que dizem que a meritocracia é inquestionável para medir as pessoas, desconsiderando a realidade do nosso país. Pois bem, hoje decidi tira a poeira do blog pensando nisso e depois de ter lido, na segunda feira, uma ótima coluna do Juremir Machado da Silva, e que me permito reproduzir aqui no blog. Genial. E boa para reflexão. O original pode ser lido aqui.NO CARTEIRAÇO - Juremir Machado da Silva
-A Internet é muito ruim para a democracia.
- Acho o contrário.
- Viste!?
- O quê?
- Agora todo mundo acha que pode dizer o que acha.
- Acho isso ótimo.
- Aí é que está o problema.
- É mesmo? Qual é o problema?
- Tu não és especialista.
- A democracia, meu caro, é o regime do melhor argumento, não o regime dos especialistas. A Internet quebra o "monopólio da fala". Antes da Internet, só alguns tinham direito à expressão. O controle da emissão eliminava o contraditório não autorizado. Acabou a moleza. Agora, os especialistas são obrigados a argumentar com todo mundo, na esfera pública, sem redomas, e provar que seus argumentos são mais do que meros discursos de autoridade.
- Como podes saber disso? Tu não és especialista.
- Se estivéssemos de acordo nesse assunto, meu velho, tu não me acusarias de não ser especialista.
- Só deve opinar sobre algo quem sabe.
- E só sabe quem não discorda dos teus interesses.
- Eu conheço o meu ramo.
- Dá para se tornar especialista em certos assuntos com 15 minutos de leitura. Em outros, precisa uma tarde. Em boa parte, basta um mês de boas leituras. Na maioria, só é necessário ler jornais, revistas, livros e ter dois neurônios funcionando todo dia.
- Viste?!
- O quê?
- A Internet é um perigo para a democracia. Qualquer um acha que pode discutir com os especialistas.
- E quando um especialista discorda de ti?
- Tem especialista que não entende nada.
- Mas não é um especialista?
- Especialista em teoria. Gente que desconhece a realidade. Ou especialista por ideologia barata.
- Como podes saber? Vejamos o caso do aquecimento global. Tem especialistas que garantem...
- Não existe aquecimento global.
- Mas alguns especialistas afirmam...
- Conversa fiada. Em todo caso, o homem nada tem a ver com isso. O resto é papo furado de ambientalistas.
- Como podes ter tanta certeza disso?
- Li vários trabalhos de especialistas em jornais, revistas e livros. Sei do que estou falando. Tem muito material especializado sobre isso na Internet.
- Eu gosto desse nosso diálogo. Vou escrever...
- Tu não podes escrever em diálogos.
- Ué! Por que não?
- Isso é para quem sabe.
- Como é que tu sabes?
- Consultei um especialista.
26 de maio de 2010
Porque uma vida não basta ser vivida, tem de ser sonhada

Então, acabou. Foram 6 anos tensos, intensos, permeados de emoção, angústia, mistérios. Como não me causou surpresa alguma, grande parte dos fãs de LOST acharam que o final da série não correspondeu às expectativas, ou deixou em aberto muitas perguntas. Na contramão destas opiniões, fiquei maravilhado com o que vi nos dois últimos capítulos, que encerraram a saga dos “losties” nesta última semana. O encerramento, com os olhos de Jack fechando-se lentamente são pura arte, quando lembramos que o seriado iniciou-se 6 anos atrás de forma semelhante, com Jack abrindo os olhos em meio ao acidente de avião que o colocou na misteriosa ilha.
J.J. Abrams, o criador e produtor, foi genial ao sair do lugar comum em todos os momentos da série. E foi assim até o final. Ao nos dar pistas de que não se tratava de uma história pura e simples de acidente de avião. Depois de que não se tratava de mistérios de cunho filosófico ou transcendental, embora desde nomes de personagens até estátuas nos remetessem a tais indagações. Por fim, nem mesmo as divagações do meu amigo Ricardo do blog Artigolândia sobre bem X mal, tampouco minhas suspeitas sobre fé eram o foco. Ou talvez fossem, no fundo, ambas as coisas. Mas não o bem X o mal representados em duas pessoas, ou a fé em algo místico. A sexta temporada foi uma reflexão sobre o bem X o mal que existem em cada um de nós, e a fé em nós mesmos, e nas conseqüências de nossas decisões.
E eu não tenho vergonha alguma de confessar que me emocionei com o final do protagonista, Jack Sheppard (dois anos atrás escrevi sobre ele aqui). Nessa nossa sociedade pós-moderna que sempre tem a tendência de enaltecer a figura de um anti-herói, como os personagens de Ben, Sawyer ou Locke, por exemplo, eu sempre me identifiquei com a figura de Jack. O herói atormentado pelo seu senso de dever, aquele que busca incessantemente a redenção do herói mesmo sabendo do sacrifício que está por trás disto. Foi assim até o final. E mais uma vez J.J. Abrams nos brindou mostrando que às vezes o final mais perfeito ou emocionante não está necessariamente no “felizes para sempre” do casal de protagonistas, mas sim na perfeição dos sentimentos entre as pessoas.
Vou ter saudades de LOST. Não só dos mistérios dos quais todos buscavam respostas, mas da aula de relações humanas da série.
12 de abril de 2010
Chega de hipocrisia barata

Como todo ano de eleição, vejo minha caixa de e-mails ficar lotada de correntes, spams e assemelhados tentando “abrir os olhos do povo brasileiro” ou “da sociedade gaúcha”, no caso aqui do Rio Grande do Sul. Sinceramente, independente de quaisquer ideologias ou pontos de vista, qualquer pessoa minimamente inteligente sabe tratar-se de hipocrisia barata, estimulada via de regra por pessoas sem a isenção necessária.
Agora, começaram os ataques a José Serra e Dilma Rousseff, dos quais possivelmente sairá o próximo governante do Brasil. Pois quero compartilhar com vocês minha visão.
Pouco me importa se no passado Dilma optou pela luta armada contra o regime ditatorial brasileiro da época ou se Serra era filho de verdureiros. É secundário o fato de Dilma ter sido torturada ou de Serra considerar-se economista sem o devido reconhecimento universitário compatível. Se Serra não tem carisma ou se Dilma é brava, qual a influência disso sobre as políticas públicas de ambos? Tanto Serra como Dilma são pessoas com várias controvérsias em seus passados políticos e suas personalidades, mas não menos do que a maioria de cada um de nós, em outra escala. Não vejo, contudo, nada que desabone tanto um em detrimento de outro em termos de retidão de conduta ou história pessoal pregressa. É mais ou menos empate técnico, para o bem ou para o mal. O que eu quero, ao contrário, é discutir a visão administrativa de ambos. Aliás, não deles, mas de tudo e todos que os apóiam.
Interessa-me sim discutir por que o MST esqueceu sua função social e se é comandado por homens das cavernas que perderam o bonde da história. Mas também por que as elites sócio-políticas paulistanas e cariocas mesmo com orçamentos bilionários em seus Estados não se interessaram em impedir o caos urbano e social que suas cidades hoje vivenciam. Interessa-me discutir alternativas ao assistencialismo puro e simples, mas também a falta de perspectivas imediatas para quem tem 3 ou 4 gerações comprometidas com a miséria e falta de educação.
Interessa-me discutir políticas públicas, visão de futuro, economia. Comparar gastos públicos, obras, distribuição de renda, questões ligadas aos índices de saúde, emprego e moradia. O que os grupos que defendem um e outro realizaram, e o que ainda podem realizar. Quais governos aumentaram ou diminuíram gastos com ciência & tecnologia, como enfrentam o déficit habitacional brasileiro. E assim por diante.
Pouco me importa saber se a corrupção começou ou se foi maior com o PT, PMDB, PSDB, DEM... ladrão, corrupção é corrupção em qualquer instância, e cabe aos órgãos competentes julgar e punir, sob a forma da lei. E, nós, nos insurgirmos contra isso através dos meios democráticos, mas não desacreditando as instituições. Mas isso tudo sem aceitar essa argumentação hipócrita de quem exige lisura e honestidade sem também a ter. Até porque o maior de todos nesse sentido foi governador “caçador de marajás” de Alagoas na década de 80, Fernando Collor de Mello. Bem sabemos o desfecho.
Pensem nisso na próxima vez que uma pessoa “esclarecida” lhe mandar um e-mail que circulou e recirculou 234200 vezes pela internet, escrita por alguém sem a isenção necessária, que você não tem como descobrir quem é, e com dados que muitas vezes você não sabe de onde vieram. Sinceramente, quem acha que o brasileiro médio usuário da internet se deixa influenciar por estes e-mails?
6 de abril de 2010
Em busca da coxinha perfeita

Queridos amigos, aqui estou de volta ao mundo dos blogs, cheio de gás!! Vamos lá então...
Todo mundo tem suas manias. Não passar por baixo de escada, usar sempre um mesmo tipo de roupa em determinada situação, trocar de canal incessantemente na TV... por vezes essas nossas manias nos levam, também, à criação de um hábito, ou a uma busca permanente por algo. Por exemplo, qual a melhor referência sobre um determinado objeto, ou lugar. Qual a mais bela cidade do mundo? Qual a melhor raça de cachorro para se ter em casa? Qual o melhor filme de todos os tempos?
Alguns levam essas suas buscas para o lado da gastronomia. Qual o melhor restaurante japonês da cidade? Onde encontrar o melhor suco? Onde se vende o melhor queijo... Lembro de uma amiga minha que tentava descobrir qual o melhor Petit gateau de Porto Alegre. Pois eu, confesso, tenho uma mania também: vivo em busca da coxinha perfeita. Sabe, aquele salgado frito à base de frango? (Sim, embora aquelas derivadas da costela de Adão também me deixem nas nuvens... valeriam um texto antológico, mas não hoje)
Pois então, eu busco incessantemente a coxinha perfeita. Não consigo entrar em um bar de faculdade, em um restaurante de beira de estrada, em uma padaria ou confeitaria e, tendo a visão daquela especiaria à minha frente, não me deixar levar pelo impulso de prová-la. Sentir a delicadeza da massa. O recheio farto ou escasso, o tempero, o cuidado no desfiar da carne de frango... Nessa minha busca incessante, já pude provar sabores e consistências únicas, que nenhum outro salgado poderia me proporcionar. Ainda que por vezes tudo que tenha sentido fosse um pedaço de osso perdido no meio da massa ou gordura escorrendo por entre meus dedos.
Porque buscar a coxinha perfeita não deixa de ser uma analogia da nossa busca pela auto-realização na vida. Buscamos cheiros e sabores que nos seduzam, massas delicadas por onde nossos lábios possam tocar, temperos que nos surpreendam. Pouco importa as eventuais frituras gordurosas ou recheios indesejados. Ajudam-nos a enaltecer ainda mais as melhores coxinhas que encontramos. Assim como os melhores amigos que construímos ao longo da vida, por exemplo. Ao longo dessa nossa infindável procura pela felicidade, nos lançamos à busca de sensações, e as encontramos nas mais diferentes situações ou momentos. E quer saber qual foi a conclusão a que cheguei? É que não existe a coxinha perfeita. Ou melhor, existem várias. Cada uma tem história diferente para nos proporcionar. Assim como nossos amores. Não existem amores perfeitos, ou amizades perfeitas, ou famílias perfeitas. Existe aquilo que nos faz bem. Por uma noite, por dias, semanas, décadas, por uma vida inteira. Ou por alguns minutos, sentados à frente de um balcão, entre guardanapos de papel.
7 de janeiro de 2010
O que ficou da década - parte 2

Internacionalmente, não dá para negar que os EUA foram o foco principal. Vindos de uma época de estabilidade com Bill Clinton e ainda absorvendo a primeira década sem Muro de Berlim e sem União Soviética (ou seja, sem guerra fria), a ascensão (duvidosa) do pífio George W. Bush e o ataque às torres gêmeas foram um cartão de visita do clima conservador que foi imposto à America e que alavancou guerras com intenções econômicas travestidas de políticas. Aliás, como a maioria das guerras. E a conseqüência disso foi, como de fato Ricardo comentou em seu blog, o início do fenômeno Barack Obama. Confesso: sou fã do Obama. Li um livro sobre ele e já participei de debates no Orkut na época eleitoral. Ele é a “audácia da esperança”, como o livro que ele mesmo escreveu diz. Mas concordo quando dizem que ele é a pessoa certa na hora errada. A missão de curar as cicatrizes de uma administração imbecil como a de Bush e da crise de 2008 são missões inglórias, que talvez nem mesmo seu brilho pessoal possa ajudar a reverter.
Por falar em esperança, foi ela que venceu o medo e alavancou Lula à presidência, à despeito da desconfiança de muitos, além da Regina Duarte. E entramos, assim, no cenário nacional. Diferente do Obama, a vida do nosso presidente foi facilitada por uma meritória estabilidade alcançada por uma administração técnica do seu antecessor, FHC. Mas era preciso mais. Um país com as diferenças e desigualdades como o nosso precisava de mais. Se Lula era a única ou a melhor opção, não sei, mas foi ele que de fato conduziu o país, ajudado ou não por condições favoráveis, a um período de desenvolvimento, com mudanças de paradigmas importantes. De ruim, o fato da nossa política estar cada vez mais desmoralizada nos seus mais diversos escalões, mas que por favor ninguém venha culpar a democracia por isso... políticos são reflexo da sociedade que os elege.
Por fim, tenho certeza que o Ricardo gostaria que eu fizesse um contraponto ao que ele chamou de “América Vermelha”, ou seja, o aumento de presidentes de esquerda na América Latina. Eu diria que foi uma conseqüência natural do esgotamento do modelo conservador imposto nos anos 90 na região, e que quase quebrou países como Peru e Argentina. Mas esse cenário atual naturalmente tende a se esgotar também nos países onde não houver competência administrativa e sim populismos exacerbados. Cada um escolhe o quer ser: Chávez ou Lula, Evo ou Bachelet.
5 de janeiro de 2010
O que ficou da década - Parte 1

Meu amigo Ricardo, que possui o blog Artigolândia, sugeriu que eu contribuísse com as minhas percepções a respeito da década que está encerrando (tecnicamente os anos 2000 encerram-se somente no final de 2010 e não em 2009, mas enfim...), em um contraponto às visões dele.
Ele pediu isso justamente na manhã onde eu estava debruçado escrevendo que não gosto muito de retrospectivas enfadonhas ou melancólicas de réveillon. Tampouco acho que consiga ser intelectualmente categórico interpretando a realidade à minha volta, embora, vocês que me lêem sabem, volta e meia eu também caia nessa armadilha. Por isso, ou apesar disso, vou escrever em cima das minhas idiossincrasias pessoais, daquilo que eu vi e senti nessa última década, sem ter a pretensão de uma imparcialidade descritiva.
Vivi a infância na década de
Assim, inicio essa série que terá 3 ou 4 partes (vamos ver até onde vai), onde, cada qual em seu blog, Ricardo e eu discutiremos Cultura/Comportamento, Política/economia e o que mais vocês quiserem. Sintam-se convidados a participar.
25 de dezembro de 2009
Fechando 2009
Agradeço de coração todos que acompanharam o blog. Que eu possa contar com vocês em 2010 também. Obrigado aos amigos que me acompanham (Ricardo, Fernando, Iza, Gabriel, Bruno entre outros)ou ainda os que aparecem esporadicamente. À pessoas que sequer conheço, como Amanda, Clarissa, Maria Só, Nely, Mandy, que tornaram-se leitoras ( e eu dos blogs delas). E de leitores que sequer sei que são, mas que o Google analytics registra a visita, como os leitores de cidades como São Mateus/ES, Belém/PA, Goiânia/GO e Lajeado/RS que não só visitam como permanecem um bom tempo no blog, lendo-o.
Um Feliz Natal!
17 de dezembro de 2009
Felicidade

Ser feliz é ser leve. E não depende de propaganda.
Por isso não tentem me perguntar sobre felicidade. Ela está estampada no meu rosto para quem quiser ver, sempre que de fato existir. Aliás, no rosto de qualquer pessoa feliz.
O retorno
27 de outubro de 2009
Metade de mim...
Eu não sei viver sendo metade de mim mesmo. Não sei deixar de ser quem eu sou. É minha desgraça, minha sentença perpétua, e ao mesmo tempo minha salvação. Ainda que esteja sobre o jugo de uma pressão muito forte, ainda que as incertezas da vida teimem em bater à porta, sou eu, personificado através das minhas convicções, que triunfo nessa grande peça da minha vida, onde sou herói, vilão, protagonista, figurante, roteirista e diretor. Como é bom poder terminar um dia cansativo como hoje e, perto das 3 da manhã, sentado insone à frente do computador sentir-se feliz, simplesmente. "Porque metade de mim é amor, e a outra metade, também", foi cantado pelo Oswaldo Montenegro, mas bem que poderia ter sido por mim.
2 de outubro de 2009
Reacionários
"O curioso é que eles se pretendem racionais, universalistas e sem ideologia. Só os seus adversários é que seriam ideológicos. A lei que comanda os ataques do trio mais reacionário da mídia brasileira é simples: se há movimento social, eles são contra. Sempre. Azevedo acredita que a corrupção nasceu com o PT. Magnoli jura que não existe "fronteira racial" na consciência dos brasileiros. Em nome de um pretenso universal, cuja existência concreta ainda não conseguiram demonstrar, os três investem contra esquerdismos estatizantes, cotas, multiculturalismo, sem-terra, sem-teto, sem-mídia, sem nada e principalmente contra toda tentativa de mexer nas cartas da sacrossanta ordem mundial do Deus mercado.
Na guerra santa que lideram contra o atraso de esquerda, praticam o atraso de direita sem qualquer pudor e com direito a boas doses de ingenuidade, hipocrisia e confusão intelectual. Confundem a crítica ao superado marxismo e ao defunto socialismo real, cujas lembranças ainda embalam alguns desvairados, com a rejeição a qualquer demanda de reforma social."
Quem desejar, pode ler texto na íntegra neste link
30 de setembro de 2009
Visões de Mundo
A história já se encarregou de sepultar os devaneios coletivistas que comunistas e fascistas imaginavam ser a utopia de um mundo sem diferenças. Tais devaneios demonstraram-se ingênuos ou então propícios apenas para que atrocidades incríveis fossem cometidas em nome de uma suposta igualdade entre os homens. O ser humano tem um desejo e uma ambição natural de ser diferente de outro. E trocar Liberdade por Igualdade demonstrou-se tão perigoso quanto trocar Liberdade por Ordem, como as ditaduras militares impuseram na América Latina no passado. Cuba está aí para provar isso.
Mas isso não quer dizer que o que restou após a queda do muro de Berlin seja bom ou suficiente. Aliás, bem pelo contrário.
Você estar inserido em um contexto não lhe obriga a, necessariamente, concordar com ele. Vivemos em um mundo capitalista, em uma sociedade de consumo, da valorização do “eu” em detrimento do “nós”. Mas sou terminantemente contra o pensamento de que “o mundo é assim, temos que nos adaptar”. Isso faria de nós um rebanho de bois sem consciência crítica. Eu tenho minhas aspirações financeiras, mas não estou disposto a pagar qualquer preço por isso. Minha felicidade está antes de tudo no que sou, e não no que possuo. Vez por outra tenho vários ímpetos consumistas, mas jamais pagarei R$ 400,00 por um tênis só pelo status social que ele proporciona ou por que uma bem treinada equipe de marketing fez as pessoas acreditarem que ele é muito mais confortável que outro.
Creio que nenhuma pessoa em sã consciência e minimamente preparada seja, em tese, contrário à livre iniciativa. Mas se a ambição humana é uma condição normal nossa, se o homem é cada vez mais individualista, se o homem cada vez mais é o lobo do homem, é preciso que a sociedade formal, na figura dos seus administradores e governantes, crie algum mecanismo que impeça que essa natural vocação dos homens pela desigualdade maximize as diferenças sociais tão gritantes entre as diversas camadas sociais. Diferenças essas que são responsáveis por grande parte das mazelas que vivemos hoje em dia.
Isso pode ser mal compreendido pelas pessoas, principalmente por aquelas que não corroboram do mesmo pensamento e, por serem justamente contrárias a isso, criam estereótipos e pensamentos maniqueístas a respeito do assunto. Porém mais do que certo e errado nessa discussão, há claramente uma visão do mundo que defendemos, como comentei no início. E, no mundo que eu defendo, o “eu” e o “nós” tem de, necessariamente, caminhar juntos.
E você, que visão de mundo defende?
18 de setembro de 2009
Estatísticas atualizadas
Atualizando os dados do google analytics, nos últimos 30 dias esse blog teve:
- 159 visitantes diferentes que realizaram 355 acessos ao site;
- 515 pageviews nesse período;
- Principais países de origem das visitas: Brasil (309), Estados Unidos (20) e Portugal (16)
- Textos melhor pontuados no ranking de acessos: Saudade não dói e A vida com trilha sonora
15 de setembro de 2009
Falando de Deus e religião - parte 2
Uma vez, participando de um fórum de discussão na internet sobre religiosidade, alguém questionou qual o principal empecilho para que todas as religiões dialogassem sobre aspectos comuns. Eu respondi que era por causa da natureza diferenciada dos preceitos básicos da maioria delas. Cristãos, judeus, espiritualistas, muçulmanos, hindus, adeptos do candomblé possuem maneiras de entender o sobrenatural que são incompatíveis filosoficamente. O que não significa que não possam conviver educadamente.
Todavia, no caso do cristianismo, em particular, me frustra ver o atual panorama de combatividade entre algumas denominações religiosas.
Sou um grande defensor do ecumenismo entre as diferentes religiões cristãs, até por acreditar que religiões são divisões humanas. Isso porque o ensinamento de Jesus Cristo, sendo vivido em sua plenitude conceitual, é (ou deveria ser) o MESMO para todos os cristãos. Hoje ainda vejo o quanto estamos afastados (cristãos) por essa briga entre evangélicos tradicionais, reformados ou pentecostais, católicos romanos ou ortodoxos, mórmons. Se Deus ama a toda a humanidade, justos e injustos, pecadores e fiéis, ele é de um amor tão grande que não permite essa diferenciação entre o certo e o errado tão facilmente "identificável" pelas “religiões” humanas.
Assim, temos de um lado uma Igreja católica outorgando para si a condição de única representante legítima de Jesus na Terra para impedir o crescimento dos evangélicos. De outro lado, temos os evangélicos (principalmente os pentecostais e neo-pentecostais) justificando que somente eles vivenciam uma fé legitimamente baseada nos ensinamentos da Bíblia e dos primeiros cristãos, razão pela qual as pessoas devem se "converter" se quiserem alcançar a salvação. Perceberam como essas coisas tem muito mais a ver com os homens do que com Deus? A mensagem de Jesus, de guardarmos a fé em Deus, amarmos o próximo e fazermos o bem, não é compatível com nenhum desses dois conceitos apregoados de lado a lado.
Deus não manda as pessoas para o “inferno” por elas não seguirem as tradições católicas ou por elas não viverem segundo as interpretações evangélicas da bíblia.
Deus não é uma “ser” que fica em algum lugar punindo alguns e presenteando outros, ao seu bel prazer. Deus é um conceito maior, ou mesmo uma “entidade”, através do qual os homens procuram explicar uma força superior a nossa compreensão, que nos fez o que somos, e não outra coisa. Que nos mantém aqui, e não em outro lugar. Que faz com que, no meio de tantas e tantas filosofias, armadilhas morais ou tentações, queiramos algo que seja sublime, e não frugal. Algo inexplicavelmente fora da nossa compreensão que nos conforta mesmo no mais angustiante dos momentos. Que nos salva quando queremos nos perder, que nos guia mesmo sem entendermos como e por quê. Que nos faz entender que o homem depende do homem, e que “amar ao próximo como a ti mesmo, e a Deus sobre todas as coisas”, nada mais é do que exercitar aquilo que chamamos de AMOR, no seu sentido mais amplo e irrestrito, ligado àquilo que o ser humano denominou como FÉ. O modo que você exercita esse conceito, ou seja, a denominação religiosa que você segue, tem importância muito mais para você, no seu dia-a-dia, do que para Deus.
