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8 de dezembro de 2011

É pura paixão (não insônia!)

Hoje, como tantos outros dias que tem acontecido por estes tempos, estou aqui exausto, sentado na cama com o notebook ao colo. Cansado, mas com a cabeça pensando e planejando tantas coisas ao mesmo tempo a ponto de não conseguir dormir. Depois de um belo banho, em meio a este turbilhão, decidi parar, e escrever como tanto gosto. Porque hoje é mais um daqueles dias que vejo que minha vida é movida por paixão. A paixão é que me move. A paixão é que me guia, me faz isso aqui que eu sou. Mesmo com as olheiras permanentes das últimas semanas, com tanto trabalho, mesmo com todas as incertezas das coisas que ainda precisam ser feitas, minha vida, ah, minha vida é pura paixão. E, assim, apaixonado por tudo que sou e ainda quero ser, por tudo que acredito e luto, por tudo e por todos que alimentam minha paixão, eu sigo. Cada dia tem sempre que ser desafiador, porque é apaixonante, quando queremos que ele assim seja. Tudo vale a pena. E vale tanto, a ponto de, agora sim, o sono vindo, pelo menos publicar este texto.



Uma da manhã. Vamos lá que não às seis como na foto, mas sete e quinze estou de pé.

9 de outubro de 2010

Sorrisos

Às vezes um sorriso leve tem um poder bem maior do que qualquer argumento técnico. Ok, não é bem assim sempre, mas a verdade é que as pessoas não percebem que toda sua qualificação profissional ou pessoal tem melhor resultado quando você a aplica com alegria, com a satisfação serena de quem confia em si próprio e nas suas escolhas de vida.

Atualmente, tenho passado por um momento profissional bastante conturbado, com um volume de trabalho que deixaria qualquer um louco. Pois algumas semanas atrás saí de uma reunião de trabalho e a pessoa que estava debatendo questões muito difíceis de serem resolvidas ressaltou a tranqüilidade e a segurança que eu aparentava frente à situação. E era, de fato, verdade. Não sei se é ingenuidade minha, ou mesmo despreocupação exagerada, mas o fato é que estou sempre tentando olhar os desafios da vida de forma positiva. Não se enganem, também tenho meus momentos de estresse, desilusão, arrependimento.  Mas não deixo esses sentimentos se transformarem, na maioria das vezes, em uma angústia ou ansiedade desesperada. Acreditem, faz muito bem viver a vida propositivamente. Se você age ou vive tenso, perturbado, isso reflete não somente em você, mas também nos outros. E, como dizem os sociólogos ou antropólogos, todos nós somos, no limite das nossas consciências e das nossas relações sociais, não somente o que somos de fato, mas também o que deixamos transparecer para as pessoas.

Considero-me uma pessoa privilegiada, pelo fato de que esse tipo de comportamento, no final das contas, faz bem não somente a mim, mas ao que parece também para pessoas à minha volta. Pelo menos tenho essa impressão, não sei se justamente por causa ou por conseqüência disso. É um sentimento bom, recompensador. E são de sentimentos bons que precisamos nas nossas vidas, apesar de todas as inevitáveis dificuldades.

4 de agosto de 2010

Soberba ou ignorância

Tem coisas que me deixam meio revoltado. Independentemente desse meu desejo de mudar o mundo, certas coisas vão contra a visão que eu tenho da humanidade e do que espero dela, e do que ela deveria esperar de mim. Por essa razão me debato contra certos discursos indutivistas ou mesmo vazios. Discursos "competentes". Tenho sérias restrições, por exemplo, sobre determinados argumentos que dizem que a meritocracia é inquestionável para medir as pessoas, desconsiderando a realidade do nosso país. Pois bem, hoje decidi tira a poeira do blog pensando nisso e depois de ter lido, na segunda feira, uma ótima coluna do Juremir Machado da Silva, e que me permito reproduzir aqui no blog. Genial. E boa para reflexão. O original pode ser lido aqui.

NO CARTEIRAÇO - Juremir Machado da Silva

-A Internet é muito ruim para a democracia.

- Acho o contrário.

- Viste!?

- O quê?

- Agora todo mundo acha que pode dizer o que acha.

- Acho isso ótimo.

- Aí é que está o problema.

- É mesmo? Qual é o problema?

- Tu não és especialista.

- A democracia, meu caro, é o regime do melhor argumento, não o regime dos especialistas. A Internet quebra o "monopólio da fala". Antes da Internet, só alguns tinham direito à expressão. O controle da emissão eliminava o contraditório não autorizado. Acabou a moleza. Agora, os especialistas são obrigados a argumentar com todo mundo, na esfera pública, sem redomas, e provar que seus argumentos são mais do que meros discursos de autoridade.

- Como podes saber disso? Tu não és especialista.

- Se estivéssemos de acordo nesse assunto, meu velho, tu não me acusarias de não ser especialista.

- Só deve opinar sobre algo quem sabe.

- E só sabe quem não discorda dos teus interesses.

- Eu conheço o meu ramo.

- Dá para se tornar especialista em certos assuntos com 15 minutos de leitura. Em outros, precisa uma tarde. Em boa parte, basta um mês de boas leituras. Na maioria, só é necessário ler jornais, revistas, livros e ter dois neurônios funcionando todo dia.

- Viste?!

- O quê?

- A Internet é um perigo para a democracia. Qualquer um acha que pode discutir com os especialistas.

- E quando um especialista discorda de ti?

- Tem especialista que não entende nada.

- Mas não é um especialista?

- Especialista em teoria. Gente que desconhece a realidade. Ou especialista por ideologia barata.

- Como podes saber? Vejamos o caso do aquecimento global. Tem especialistas que garantem...

- Não existe aquecimento global.

- Mas alguns especialistas afirmam...

- Conversa fiada. Em todo caso, o homem nada tem a ver com isso. O resto é papo furado de ambientalistas.

- Como podes ter tanta certeza disso?

- Li vários trabalhos de especialistas em jornais, revistas e livros. Sei do que estou falando. Tem muito material especializado sobre isso na Internet.

- Eu gosto desse nosso diálogo. Vou escrever...

- Tu não podes escrever em diálogos.

- Ué! Por que não?

- Isso é para quem sabe.

- Como é que tu sabes?

- Consultei um especialista.

27 de outubro de 2009

Metade de mim...


Eu não sei viver sendo metade de mim mesmo. Não sei deixar de ser quem eu sou. É minha desgraça, minha sentença perpétua, e ao mesmo tempo minha salvação. Ainda que esteja sobre o jugo de uma pressão muito forte, ainda que as incertezas da vida teimem em bater à porta, sou eu, personificado através das minhas convicções, que triunfo nessa grande peça da minha vida, onde sou herói, vilão, protagonista, figurante, roteirista e diretor. Como é bom poder terminar um dia cansativo como hoje e, perto das 3 da manhã, sentado insone à frente do computador sentir-se feliz, simplesmente. "Porque metade de mim é amor, e a outra metade, também", foi cantado pelo Oswaldo Montenegro, mas bem que poderia ter sido por mim.


30 de setembro de 2009

Visões de Mundo

Em um espaço de menos de uma semana tive oportunidade de ter uma mesma conversa, em momentos distintos, com diferentes amigos sobre como vemos determinadas coisas que acontecem na nossa sociedade. Alguns diriam que conversamos sobre política e economia, mas eu prefiro dizer que compartilhamos nossas visões de mundo. Sim, pois, a despeito das visões apaixonadas que temos nesses momentos em que se discutem temas controversos, estamos pondo à mostra a maneira com que encaramos a realidade que nos cerca e a perspectiva de mundo que queremos ou sonhamos.

A história já se encarregou de sepultar os devaneios coletivistas que comunistas e fascistas imaginavam ser a utopia de um mundo sem diferenças. Tais devaneios demonstraram-se ingênuos ou então propícios apenas para que atrocidades incríveis fossem cometidas em nome de uma suposta igualdade entre os homens. O ser humano tem um desejo e uma ambição natural de ser diferente de outro. E trocar Liberdade por Igualdade demonstrou-se tão perigoso quanto trocar Liberdade por Ordem, como as ditaduras militares impuseram na América Latina no passado. Cuba está aí para provar isso.

Mas isso não quer dizer que o que restou após a queda do muro de Berlin seja bom ou suficiente. Aliás, bem pelo contrário.

Você estar inserido em um contexto não lhe obriga a, necessariamente, concordar com ele. Vivemos em um mundo capitalista, em uma sociedade de consumo, da valorização do “eu” em detrimento do “nós”. Mas sou terminantemente contra o pensamento de que “o mundo é assim, temos que nos adaptar”. Isso faria de nós um rebanho de bois sem consciência crítica. Eu tenho minhas aspirações financeiras, mas não estou disposto a pagar qualquer preço por isso. Minha felicidade está antes de tudo no que sou, e não no que possuo. Vez por outra tenho vários ímpetos consumistas, mas jamais pagarei R$ 400,00 por um tênis só pelo status social que ele proporciona ou por que uma bem treinada equipe de marketing fez as pessoas acreditarem que ele é muito mais confortável que outro.

Creio que nenhuma pessoa em sã consciência e minimamente preparada seja, em tese, contrário à livre iniciativa. Mas se a ambição humana é uma condição normal nossa, se o homem é cada vez mais individualista, se o homem cada vez mais é o lobo do homem, é preciso que a sociedade formal, na figura dos seus administradores e governantes, crie algum mecanismo que impeça que essa natural vocação dos homens pela desigualdade maximize as diferenças sociais tão gritantes entre as diversas camadas sociais. Diferenças essas que são responsáveis por grande parte das mazelas que vivemos hoje em dia.

Isso pode ser mal compreendido pelas pessoas, principalmente por aquelas que não corroboram do mesmo pensamento e, por serem justamente contrárias a isso, criam estereótipos e pensamentos maniqueístas a respeito do assunto. Porém mais do que certo e errado nessa discussão, há claramente uma visão do mundo que defendemos, como comentei no início. E, no mundo que eu defendo, o “eu” e o “nós” tem de, necessariamente, caminhar juntos.

E você, que visão de mundo defende?

15 de setembro de 2009

Falando de Deus e religião - parte 2

Finalizando minha reflexão iniciada no post anterior, baseado em tudo que leio, penso e reflito a respeito do assunto.

Uma vez, participando de um fórum de discussão na internet sobre religiosidade, alguém questionou qual o principal empecilho para que todas as religiões dialogassem sobre aspectos comuns. Eu respondi que era por causa da natureza diferenciada dos preceitos básicos da maioria delas. Cristãos, judeus, espiritualistas, muçulmanos, hindus, adeptos do candomblé possuem maneiras de entender o sobrenatural que são incompatíveis filosoficamente. O que não significa que não possam conviver educadamente.


Todavia, no caso do cristianismo, em particular, me frustra ver o atual panorama de combatividade entre algumas denominações religiosas.

Sou um grande defensor do ecumenismo entre as diferentes religiões cristãs, até por acreditar que religiões são divisões humanas. Isso porque o ensinamento de Jesus Cristo, sendo vivido em sua plenitude conceitual, é (ou deveria ser) o MESMO para todos os cristãos. Hoje ainda vejo o quanto estamos afastados (cristãos) por essa briga entre evangélicos tradicionais, reformados ou pentecostais, católicos romanos ou ortodoxos, mórmons. Se Deus ama a toda a humanidade, justos e injustos, pecadores e fiéis, ele é de um amor tão grande que não permite essa diferenciação entre o certo e o errado tão facilmente "identificável" pelas “religiões” humanas.

Assim, temos de um lado uma Igreja católica outorgando para si a condição de única representante legítima de Jesus na Terra para impedir o crescimento dos evangélicos. De outro lado, temos os evangélicos (principalmente os pentecostais e neo-pentecostais) justificando que somente eles vivenciam uma fé legitimamente baseada nos ensinamentos da Bíblia e dos primeiros cristãos, razão pela qual as pessoas devem se "converter" se quiserem alcançar a salvação. Perceberam como essas coisas tem muito mais a ver com os homens do que com Deus? A mensagem de Jesus, de guardarmos a fé em Deus, amarmos o próximo e fazermos o bem, não é compatível com nenhum desses dois conceitos apregoados de lado a lado.

Deus não manda as pessoas para o “inferno” por elas não seguirem as tradições católicas ou por elas não viverem segundo as interpretações evangélicas da bíblia.

Deus não é uma “ser” que fica em algum lugar punindo alguns e presenteando outros, ao seu bel prazer. Deus é um conceito maior, ou mesmo uma “entidade”, através do qual os homens procuram explicar uma força superior a nossa compreensão, que nos fez o que somos, e não outra coisa. Que nos mantém aqui, e não em outro lugar. Que faz com que, no meio de tantas e tantas filosofias, armadilhas morais ou tentações, queiramos algo que seja sublime, e não frugal. Algo inexplicavelmente fora da nossa compreensão que nos conforta mesmo no mais angustiante dos momentos. Que nos salva quando queremos nos perder, que nos guia mesmo sem entendermos como e por quê. Que nos faz entender que o homem depende do homem, e que “amar ao próximo como a ti mesmo, e a Deus sobre todas as coisas”, nada mais é do que exercitar aquilo que chamamos de AMOR, no seu sentido mais amplo e irrestrito, ligado àquilo que o ser humano denominou como FÉ. O modo que você exercita esse conceito, ou seja, a denominação religiosa que você segue, tem importância muito mais para você, no seu dia-a-dia, do que para Deus.

8 de setembro de 2009

Falando de Deus e religião - parte I


Se você faz parte daqueles que pensam que religião é um assunto muito controverso para ser discutido, ou se sente contrariado quando determinados dogmas de fé são questionados, não siga adiante com essa leitura. Esse texto tem a pretensão de ser um ensaio sobre muitas das coisas que eu penso a respeito do tema, a partir da minha experiência como cristão, cientista e ávido leitor de trabalhos e textos sobre teologia, hermenêutica bíblica, filosofia e filosofia da ciência.

Primeiramente, para quem não sabe sou um cristão formado na Igreja Católica. O que não significa que concorde com todos os dogmas do catolicismo. Também já tive oportunidade de ler ou ter contato com cultos evangélicos, principalmente batistas, luteranos, e alguns neo-pentecostais. O que não significa, também, que concorde com todas as interpretações evangélicas sobre fé. Já li sobre espiritismo, mas sou fortemente contrário à abordagem científica objetiva (?) proposta por eles para explicar fenômenos sobrenaturais subjetivos. Já li sobre criacionismo e sobre evolucionismo, e ainda mais, até sobre evolucionismo criacionista. Trabalho com pesquisa científica e aplicada. Sobre ciência, aliás, sou um pesquisador que não vê problemas nessa dualidade fé X ciência.

Uma das coisas que mais concordo quando vejo pregações é a máxima de que devemos procurar “menos religião, e mais Deus”. Concordo plenamente, ainda que a maior parte dos cristãos utilize isso de forma sofística para fazer crer que eles não têm preocupações com a religião em si, quando têm, e muito. Independente disso, é uma das frases que deveriam estar na mente de todo cristão. O que os homens definem como preceitos, dogmas, regras de conduta, balizadas ou não por interpretações (suficientes ou insuficientes) dos textos bíblicos, são resultados de uma hermenêutica particular de um grupo definido de pessoas e/ou teólogos. São padrões que determinados grupos assumem como condição verdadeira para viver segundo o que acham mais conveniente teologicamente, mas não têm, necessariamente, similaridade com o que seja, de fato, a vontade de Deus. Qual o homem que detém o conhecimento inequívoco do que seja a vontade de Deus? Se você o conhece, me apresente. A vontade de Deus é a meu ver, é bem mais simples do que a maioria dos homens pode supor. Mas não está claramente expressa em lugar algum, pelo menos de forma irrefutável.

Karl Popper faz uma afirmação mais voltada para a filosofia da ciência, mas que se presta aqui nesta discussão. Popper argumentou que uma teoria será sempre conjectural e provisória. Em outras palavras, sempre podemos provar a partir de dados ou experiências que é uma teoria falsa, mas nunca afirmar categoricamente o que é uma verdade irrefutável.

No que uma beata católica, um pastor metodista ou um fiel pentecostal pode me corrigir, com idêntica fala: “Seu erro é não perceber que só há uma única forma de servir a Jesus Cristo”. No que eu responderia, desculpem-me, mas vocês estão sendo usados para balizar conceitos que servem não às pretensões de Deus, mas às dos homens.

Rubem Alves, escritor de formação presbiteriana, fala algo do qual concordo integralmente: “Nossas idéias sobre Deus não fazem a mínima diferença para Ele. Fazem, sim, diferença para nós”. Aliás, os textos mais inteligentes sobre teologia que pude ler ultimamente em geral são de presbiterianos ou de pessoas que tiveram, em algum momento, formação presbiteriana. Mas também não significa que concordo com os preceitos dessa denominação.

Brian McLaren, um controverso pastor americano, vai mais além: "As nossas interpretações revelam menos acerca de Deus ou da Bíblia do que sobre nós mesmos. Elas mostram o que queremos defender, o que nós queremos atacar, o que queremos ignorar, o que não estamos dispostos a questionar ..."

Eu continuo vivenciando minha fé, principalmente - mas não somente - freqüentando a igreja católica por ver, nas pessoas que a freqüentam conscientemente, e em muitos dos bons pregadores que existem nela, que ali é expresso com maior entendimento o maior legado deixado por Jesus Cristo: a vivência do amor em Deus. Mas isso não me deixa míope para as coisas erradas nos dogmas que nela existem, tampouco me faz ignorar o que há de bom na hermenêutica bíblica de outras denominações.

"Eu acredito que as pessoas não são salvas por uma verdade objetiva, mas por Jesus. A sua fé não está em seus conhecimentos, mas em Deus." - Brian McLaren, novamente. Ou seja, se você leu toda a bíblia isso não faz de você necessariamente mais preparado para entender a “vontade de Deus”. Até porque a realidade mostra que muita gente que sabe a bíblia de cor não sabe interpretá-la de fato. Independente de credos.

12 de agosto de 2009

Entre Will Smith e John Galt


Estou de volta à ativa. Depois de um breve descanso que de descanso não teve nada, mas tudo bem... hehe

Já faz algumas semanas que queria escrever este texto. Em um espaço de poucos dias assisti dois vídeos totalmente distintos quanto às mensagens que tentavam passar. “Sete vidas”, filme com Will Smith, e “Quem é John Galt”, uma montagem feita no youtube pelo Instituto John Galt a partir do trecho do livro de mesmo nome, de Ayn Rand. Comecemos por este último.

“John Galt” é um personagem de um livro que procura divulgar idéias do chamado objetivismo, filosofia proposta pela autora Ayn Raind. Resumidamente, as principais ideias que entendo serem as bases do que a autora sugere são:

- Cada homem é um fim em si mesmo e não um meio para o fim de outros homens. Deve existir em função de seus próprios propósitos, não se sacrificando por outros nem sacrificando outros por ele;
- Religião e ideias coletivistas são as verdadeiras causas da desgraça moral da Humanidade, e não a suposta ganância ou o individualismo contemporâneo.
- Não há mal nenhum em viver em busca somente da própria felicidade e sem se importar com os outros, desde que você teoricamente não cause mal a ninguém.
- Dinheiro e lucro não são um mal, e quem os possui, não importa em que escala, fez por merecê-lo (desde que honestamente), independente dos outros.

Acho que quem me conhece minimamente sabe que discordo veementemente da quase totalidade desses argumentos. Além de conter algumas inconsistências conceituais, o objetivismo de Ayn Raind ignora que não vivemos em uma sociedade justa e em igualdade de oportunidades. Mas para mim o pior dessa proposta é achar que o homem deve viver egoistamente para a própria felicidade. Muito diferente da mensagem do filme que assisti, e que cito a seguir.

Em “Sete Vidas”, Will Smith é um homem amargurado por ter matado, ainda que acidentalmente, sete pessoas em um desastre de carro, entre elas sua esposa. A partir daí, decide lançar-se em uma jornada de solidariedade para sete pessoas que demonstrassem merecer sua ajuda de forma incomum, o que culmina com um fim nem tão surpreendente, mas muito emocionante, onde Will Smith abre mão da própria vida (Como? Vejam o filme!) em função daqueles que deseja ajudar.

Boas reflexões. Devemos fazer o que é bom, o que é certo ou o que é justo? O que é certo nem sempre é bom? O que é bom, nem sempre é justo? O que é justo, nem sempre é certo? Egoísmo é uma questão de perspectiva? De quem?

Eu sempre achei, por formação e por convicção, que a igualdade entre os homens é ilusória, mas que a solidariedade, no sentido de entender a felicidade não como algo estritamente dependente da nossa individualidade, mas também das pessoas que nos rodeiam, tem que ser um objetivo a ser sonhado.

Meu pai tem uma frase: “Quem não vive para servir, não serve para viver”. Já vi essa frase ser muito mal compreendida e até criticada como “pequenez de espírito”. Quem tem um pouco de discernimento para ver que tal frase não é um incentivo ao “sacrifício pessoal” ou ao “coitadismo”, verá claramente que, na verdade, a “pequenez de espírito” está justamente em pensar ao contrário, em querer uma vidinha egoistamente feliz quando fechada na própria individualidade.

16 de julho de 2009

Homo homini, lupus est


Você já parou para pensar quanto do nosso discurso é teoria e quanto do nosso discurso é prática? Quais são os valores que achamos certos e quais valores conseguimos efetivamente colocar em prática no nosso dia a dia? Antes de você, após ler isso, iniciar um processo de auto-flagelação ou de condenação alheia, uma importante ressalva: essas reflexões não têm objetivo de condenar nossos comportamentos. São apenas uma forma de explicitar nossa condição humana em palavras. Vivemos um eterno conflito interior entre o que achamos que são atitudes que devemos ter e esperar das outras pessoas, e as que acabamos realizando ou aceitando, convenientemente, por diferentes razões. Por vergonha de uma reação questionadora, por amizade, por medo de reprovação ou da solidão, fazemos vista grossa, relativizamos cláusulas éticas antes pétreas nas nossas vidas. Buscar a felicidade é uma condição instintiva do ser humano, mas os percalços que insistem em atravessar a nossa frente e nos porem à prova por vezes são cruéis. Exigem tomadas de posição que nem sempre podemos ter. E nos forçam a, muitas vezes, dissimular. Até que ponto isso é aceitável? Aliás, isso é aceitável? Será que o politicamente correto às vezes não invade excessivamente nossa vida? Ou será o contrário, deixamos o correto de lado para nos favorecer quando necessário? Será que é errado querer que as pessoas tomem posição ou partido das coisas nas suas vidas, mesmo quando os momentos não são tão favoráveis? Ou será que a vida em sociedade seria um inferno se cada um não abstraísse um pouco certas coisas às vezes? Sim, hoje estou filosófico demais, nem sei se eu me entendo aqui...

Afinal, não é o mesmo cidadão que omite dados no imposto de renda (“afinal, todo mundo faz isso, por que eu vou ser o único bobo a não fazer?”) que depois reclama da esperteza dos políticos que desviam dinheiro público? Não é apenas uma diferença de escala entre um e outro? E quando você critica a violência e a impunidade, agiria igual se fosse seu filho que estivesse dirigindo bêbado e fosse acusado de causar um acidente? (“Ele é um menino bom, estudioso, de família... não pode ter a vida estragada só porque cometeu um deslize momentâneo”). Essa relativização ao mesmo tempo em que nos salva, nos condena. Será que em cada momento que fraquejamos, em que temos medo do desconhecido, não matamos um pouquinho de nós mesmos dentro da gente? Se, ao contrário, mantemos nossas convicções inabaláveis, não serão elas que talvez (justamente) nos alavanquem no caminho da felicidade? Ou será que realmente existe a questão da escala?

Juro para vocês que não tenho a mínima idéia do que quis escrevendo isso, mas veio a minha mente essa história, e achei interessante publicar.

O homem é lobo do homem. Pior que isso, às vezes nós somos lobos de nós mesmos.

13 de junho de 2009

Em ritmo de arraial

Uma das coisas mais gratificantes de trabalhar com pesquisa em pós-graduação é a oportunidade única que tenho de conviver com pessoas dos mais diversos locais do país. Explico: aqui a Engenharia Civil da Universidade atrai pessoas dos mais diversos cantos para fazer mestrado/doutorado. E eu, ali estudando/trabalhando por mais vários anos, ganhei amigos que hoje estão ou aqui ao meu lado, ou espalhados por Fortaleza, Salvador, São Paulo e até mesmo Pittsburgh, Madrid, Manchester... É interessante perceber que tenho amigos em todos os lugares, que deixam um pouco de si e levam também um pouco de mim para todos os locais. Mas o melhor de tudo, mesmo, é a interação cultural que esses contatos me proporcionam. Uma vez um grupo de amigos me deu o apelido de “gaúcho mais cearense que existe”, e eu ostento com o maior orgulho esse “título”, pelo que ele representa, de certa forma, na interpretação dessas pessoas e também pela minha própria história pessoal.

Aqui no Sul algumas pessoas, até vergonhosamente, tem uma visão muito estereotipada e bairrista a respeito de algumas diferenças (que sequer conhecem bem) entre as pessoas e as regiões do Brasil, que não são fruto de competência ou formação, na maioria das vezes. São, simplesmente, diferenças culturais, e como diferenças culturais deveriam ser interpretadas, e não de capacitação intelectual ou laboral de um povo.

Pois falando em diferenças culturais, para a minha decepção, aqui em Porto Alegre (e na região Sul em geral) as festas juninas passam quase despercebidas. Menos mal que eu participo de um grupo que sempre organiza uma festa de São João regada a muito quentão, bolo de fubá, bandeirinhas e...muito forró para dançar!!

Pois é, com 19,20 anos comecei a aprender a dançar forró e, desde então, essa virou uma das minhas paixões. Notem bem, não quer dizer com isso que aprendi a dançar muito bem, mas gosto de dançar. Um dia quem sabe escrevo só sobre isso. Lembro que no início dos anos 2000 houve uma febre de forró na cidade, boates tocavam o ritmo a noite inteira, era bom demais...mas passou, como toda modinha. Mas não para mim. Ainda adoro uma festa de São João. Então, que venha o arraial!!!

30 de maio de 2009

Pensamentos de blogueiro(*)


Muitas vezes quando venho aqui escrever, preparo um texto em cima de um assunto ou situação do qual queira falar, reviso, releio umas duas ou três vezes e penso: hum, não está como eu gostaria. Sou muito exigente com o que escrevo, confesso, e tenho vários e vários textos que escrevi e estão guardados – e possivelmente nunca serão publicados – pura e simplesmente porque não os considero “fechados” ou suficientemente bons para transmitir a idéia que eu desejava transmitir.


Ser exigente consigo mesmo tem seus lados positivo e negativo. Quem também é assim sabe bem do que estou falando.

Além disso, tem algo curioso que acontece comigo, como blogueiro(*). Blogs são muito dinâmicos, no sentido de que os textos publicados vão ficando para trás, esquecidos em uma velocidade muito rápida. É preciso sempre que possível mostrar material novo, para que as pessoas continuem interessadas naquilo que você está escrevendo e oferecendo a elas. Mas eu tenho certa dificuldade de publicar às vezes, justamente por ver um texto que eu julgo bom ser “substituído” por outros nem tão bons assim. O ranking de textos mais lidos do blog, ali à direita, ajuda um pouco a preservar a “memória” dos leitores anteriores, mas ainda é insuficiente. Por isso volta e meia eu venho aqui e sugiro algumas “(re)leituras” para os antigos e principalmente os novos visitantes. Acho que é uma prática que todos os autores de blogs deveriam utilizar. Afinal, às vezes textos muito bons são publicados e lidos por uma dezena/centena de pessoas durante uma semana, e depois caem no ostracismo. Uma pena.

(*) Nota: Embora eu mesmo me descreva como "blogueiro" nesse post, não gosto muito dessa definição. Eu sou um escritor de crônicas e memórias da minha vida. Amador e pretensioso. Se preferirem, ainda, um autor de textos para blogs. Isso porque "blogueiro" soa muito geek para mim...

12 de maio de 2009

Saudade não dói


Hoje decidi escrever sobre saudade. É, essa saudade que ao mesmo tempo em que deixa triste por ver tudo aquilo que já passou e não volta mais, ao mesmo tempo prova o quão boas são as nossas lembranças, e a nossa vida em si, a ponto de deixar marcas em nosso coração. Acho que quem teve uma vida ruim tem pouca coisa para sentir saudade. E quem sente muita saudade, sente de coisas que valeram a pena, ou de uma vida cheia de lembranças boas para recordar. Pois esses dias me bateu uma saudade... Eu também sinto saudade, sabe? Não aquela saudade deprimente, mas aquela alegria nostálgica de tudo de bom que vi e vivi.

Saudade de sentar com Cristóvão e Tiago e discutir a beleza e a insensatez do mundo; saudade do Cristóvão e do Tiago, simplesmente; Saudade de ouvir a voz fininha da Aline dizendo “Ave, Maria...”; saudade de ouvir os risos da Dani, Angel e Lu juntos; De passar o fim de semana com elas. De correr no gasômetro com o Jack. Saudades do NORIE quando viajo para dar aula, mesmo sabendo que dois dias depois eu estou de volta. De tomar café com a Fernanda e o Daniel (resmungando) no Armazém da Esquina; saudade da infância quando comia aquele sorvete Eskibon que vinha numa caixinha de papelão (que velhooo). De quando podia ficar sentado na frente da Escola de Engenharia jogando conversa fora com o Fernando, Gustavo, Ricardo, Eduardo... saudade do meu irmão implicando que meu quarto é uma bagunça ( e é mesmo); saudades de Fortaleza!!! Saudades da minha prima Carol e de passar o carnaval na beira da praia com ela em Floripa. Saudades de dançar forró com a Valéria na festa de São João do NORIE; saudades de comer um founde de chocolate à luz da Lua, no meio da rua em pleno inverno, na praia de Xangri-lá; ou em Gramado, na frente de uma lareira. Saudade de andar de bicicleta embaixo do Sol. Saudade de jogar futebol uma vez por semana (eu vou reorganizar, calma pessoal!!!); Saudade de mandar flores. Saudades do perfume dos cabelos da Juliana entrando na sala de aula, no colégio. Aliás, saudades do colégio e do Grêmio Estudantil. Saudades de conversar horas e horas com a Angela sobre a vida. Saudade dos jantares nordestinos para 25 pessoas dentro do apto de 60 m² da meninas. Saudades da minha avó. Ou de ficar vendo fotografias com a Vó Gladys.

Saudade de tudo de bom que eu vivi. Saudade, enfim, de tudo de bom que estou vivendo hoje e, um dia, vai virar lembrança. Boas lembranças. Como essas que eu citei agora.
De tudo que foi, de tudo que é, e de tudo que vai ser.

15 de abril de 2009

Visceral


Uma coisa que eu já notei ao longo desses 18, 19 meses em que eu escrevo em blogs é a forma como as pessoas reagem a determinados textos. Na maior parte das vezes, os leitores se impressionam mais com posts onde abordo pensamentos meus, ou ideias sobre o comportamento humano. Acho que porque pondero e falo aquilo que muitos pensam ou gostariam de dizer, mas nem sempre encontram palavras ou a coragem para se expor assim, tão abertamente. Falar o que sentimos ou guardamos dentro de nós para outras pessoas não é uma tarefa fácil, exige respeito com as nossas verdades (que nem sempre são absolutas), sabedoria para saber usar as palavras certas, na hora certa, prudência para não causar mágoas e principalmente determinação para saber arcar com as conseqüências. Sim, porque se pensamos e agimos de determinada forma, temos que saber assumir essas nossas posturas perante os outros.

Longe de eu ser pretensioso em achar que posso ter todo esse discernimento para agir ou usar as palavras, pelo contrário. Tenho qualidades e defeitos como qualquer um, mas não tenho medo de assumi-los e com isso tentar me tornar uma pessoa melhor, comigo mesmo e com as pessoas que eu amo. Ainda assim, falo, falo, falo... e escrevo. Como eu gosto de escrever o que sinto e vejo nesse mundo!!! Escrevo porque corre em mim essa vontade imensa de me transbordar através das palavras. Não quero me limitar ao prático, ao conveniente. Facilitaria meu convívio com as pessoas, mas não seria eu, Daniel. Porque sou assim, intenso, visceral, apaixonado, passional que deixo aqui registrado as coisas que vocês leem. Porque assim é a vida também. Intensa. Basta a gente não ter medo de assumir o que pensamos, o que fazemos, o que desejamos, o que nos incomoda ou nos alegra.

13 de abril de 2009

Dèja vu ou Dèja vecu?


Sabe aquela sensação de dèja vu (“já visto”), ou de dèja vecu (“já vivenciado”)? De já ter visto algo acontecer ou vivenciado uma sensação previamente, igualzinha àquela que você passa no presente? Pois então, ontem à noite, pouco antes de desligar meu computador e tentar dormir para esquecer momentaneamente as milhares de coisas que tenho para resolver essa semana, tive a certeza de estar em meio a um dèja vu (ou vecu, principalmente). Talvez eu espere demais das pessoas, talvez eu ingenuamente ignore essa nossa natureza humana. Independente disso, querem saber? É muito ruim ter esses dèja vu’s.


11 de abril de 2009

Feliz Páscoa!!!


Esse feriado é um período especial, cheio de significado para mim. Então peço permissão aos leitores do blog para colocar uma pequena mensagem aqui. Hoje, existe algo mais importante do que aquilo você acredita ou pratica. Cristão ou não, agnóstico ou ateu, existe uma mensagem muito maior na Páscoa, que vale para todos nós como indivíduos, independente de credos. Ganhar chocolates é bom, mas é melhor ainda lembrar o verdadeiro significado desta data. Um homem aceitou ser humilhado, crucificado e morto, para nos deixar o maior exemplo de amor que já existiu. Se você não acredita que ele fez isso para nos salvar da nossa fraca condição humana, acredite pelo menos no exemplo que ele deu: para nos lembrarmos que o amor e a compaixão ao próximo não tem limites, nem regras, que não a de, simplesmente, amar-nos mutuamente, sem divisões, sem preconceitos. Quem vive esse exemplo em sua vida, sempre estará sendo um Ser Humano melhor. E fazendo melhor o mundo à sua volta.

Feliz páscoa a todos!!!

15 de março de 2009

A vida com trilha sonora

Quinta-feira passada estava voltando de viagem à noite, de Caxias à Porto Alegre. Uma lua cheia no horizonte, o céu limpo, faróis contra o meu rosto e... música no cd do carro!! Sim, as músicas têm sido minhas companheiras de viagem, nesses novos dias de professor-engenheiro-pesquisador itinerante. Nessa última viagem, vim pensando nesse texto para o blog. Como nossa vida tem trilhas sonoras em momentos muito distintos e particulares, que acabam justamente não nos fazendo esquecê-los. Duvido que quem esteja lendo esse texto não tenha uma música que tenha embalado um momento da sua vida. Às vezes, aquela música que você não ouve há anoooos toca no rádio e punft!!! A lembrança vem à mente.
Viver a vida com trilha sonora é muito mais divertido. Faz-nos mais alegres, por vezes um pouco tristes, mas sempre, sempre intensos! Algumas pessoas acham que viver a vida com intensidade é apenas quebrar regras, correr riscos. Mas a vida também é intensa pelo colorido que damos aos nossos relacionamentos, e à sonoridade que atribuímos aos momentos marcantes da nossa passagem por esse mundão de Deus.
Engraçado que a letra da música nem sempre guarda similaridade com a situação vivida, pode ser simplesmente o som que você ouvia quando algo aconteceu. Outras vezes a letra diz tudo por você.
Aqui embaixo coloco alguns vídeos de músicas que me trazem lembranças, das mais variadas. O que cada uma lembra, ora, isso é comigo. Assim como você guarda aquela música que lembra seu primeiro beijo, a vez que você fugiu de casa quando criança, a viagem com a turma do colégio para a praia, a dor de cotovelo, a alegria de dias que ficaram no passado ou animam seu presente.







16 de fevereiro de 2009

Ce grand malheur, de ne pouvoir être Seul

Originalmente publicado em 08/12/2008
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Hoje eu resolvi contar alguns pensamentos bem pessoais do meu dia. Estão vendo a foto aí? Foi no churrasco de Natal da turma da pós-graduação. Todo ano eu acabo “organizando” esse evento. São sempre 30, 40 até 50 pessoas ávidas por carne, complementos, sobremesas. Eu sempre reclamo que é serviço demais, incomodação demais, mas a verdade é que eu fico com um orgulho contido quando vejo as pessoas satisfeitas com algo que, de certa forma, eu ajudei a proporcionar. Mesmo acordando cedo e retornando exausto em casa, vale a pena. E as pessoas, acho, percebem um pouco isso. Mas por outro lado talvez não percebam o sentimento de melancolia que se abate em mim, algumas vezes em eventos como esse. Pela proximidade do Natal, que sempre me deixa com um sentimento feliz e triste ao mesmo tempo, ou pelo fato de que no fim do ano as pessoas viajam de volta para suas casas, ou por me chatear com situações específicas que não deveriam me afetar, mas afetam...sei lá.
Hoje em um determinado momento, depois de mais de 20 Kg de carnes, saladas, legumes recheados, eu me vi sozinho ali, na frente da churrasqueira. Ao fundo, 40 pessoas satisfeitas, conversando. E eu percebi que não tinha a mínima idéia do que elas conversavam, riam. Estava ali, ao lado, mas também longe demais, ocupado demais. Aquele sentimento de certa forma tomou conta de mim de uma maneira não tão saudável. Poxa, eu sabia que eu sempre vou preferir estar ali, “gerenciando” tudo, mas uma parte de mim ficava triste em saber que não estaria na maioria das muitas fotos que as pessoas vão colocar no orkut depois; que não adiantava chegar e sentar em qualquer lugar, pois eu não teria a mínima idéia do que estava sendo conversado. Às vezes, um homem no meio de uma multidão pode estar incrivelmente só.
Engraçado que isso me fez fazer uma comparação com algo totalmente sem conexão aparente: a nossa secretária da pós-graduação, a Simone. Cara, das 24 horas do dia, se dormir 8 horas, ela tem apenas 4 horas livres, pois nas outras 12 horas restantes ela está ou trabalhando ou se deslocando para o trabalho. Ou seja, a maior parte da vida dela é vivida ali, naquela cadeira, se relacionando com as pessoas que estão ali, trabalhando e estudando. E como tem gente que não se dá conta disso!! Deve ser por isso que converso tanto com ela, pergunto coisas, conto histórias, ajudo quando preciso. Deve ser ruim conviver horas e horas, dias e dias com pessoas que nunca trocam mais do que duas ou três palavras com você. Que acham que, por essas coisas da vida, existem determinados momentos que certas relações precisam ser mais “protocolares”. E o coração da pessoa, como fica?
Bueno, quem me conhece bem pode até estranhar o tom deste post, mas foram apenas alguns sentimentos específicos que quis compartilhar. Eu acho divertido que eu escrevo essas coisas e depois fico aqui do outro lado do monitor lendo e dando risada: ah, Daniel, deixa de bobagem!!!

P.S. O título do Post é a epígrafe (escrita por La Bruyère) do texto “Homem na Multidão”, de Edgar Allan Poe.

Briga de polegar

Originalmente publicado em 24/11/2008
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Muitas pessoas me perguntam de onde tiro inspiração para os meus textos. Depende muito, às vezes são coisas que eu simplesmente sinto necessidade de falar, outras são histórias que vão sendo construídas a partir da realidade; outras, ainda, vêm a partir de uma música ou uma lembrança ou idéia que aparece do nada, no meio do trabalho, ou na cama antes de dormir. Aí eu levanto, pego caneta e papel e rascunho tópicos para escrever na frente do computador no dia seguinte.


Hoje eu resolvi escrever um texto a partir de um fato ocorrido com essa pessoinha aí da foto, a Lu. Uma amiga tão querida que me convenceu a dar aulas de direção para ela. Não que ela tenha precisado insistir muito, como vocês vão entender. Falo isso porque muita gente poderia pensar “que chato que deve ser ficar dando aula de direção” ou “ é muita paciência”. Acontece que eu acabo me divertindo!! De verdade!! E, acreditem, ver o sorriso de felicidade dela quando a “auto-escola” termina e ela sai do carro faz valer o meu dia. Ah, e uma nota importante: ela tem se saído muito bem até agora.

Bom, semana passada foi a terceira aula dela, e dessa vez com platéia (a Dani e a Angela nos acompanharam – ou, como diria a Lu “saí e tive aula com o DÃniel, mais a DÃni e a Piovesano”. A gente fez algumas manobras em uma área descampada e depois partimos para uns percursos em uma ruas residenciais na zona Sul de Porto Alegre, onde o tráfego é menor. No final, eu usei uma metáfora ( como sempre) para resumir o que tinha sido a aula. Eu lembrei de um filme (só não recordo o nome) onde um menino de 10 anos aprende a dançar sendo ensinado pela namorada do pai (acho que é a Melanie Griffith a atriz). Como ele não sabia dançar, a mulher faz ele aprender a partir de uma brincadeira infantil bem simples, aquele jogo de tentar segurar o polegar da outra pessoa com as mãos unidas (será que consegui explicar? Bom, tem a foto ali embaixo para explicar). Anyway, o caso é que, como no filme, aprender a dirigir em um descampado e depois dirigir no trânsito é como fazer “briga de polegar” e depois dançar de verdade. A gente ensaia do modo mais simples para depois fazer do modo mais avançado. E nisso eu fiquei pensando, depois...
É que, diferente do filme ou do treinamento com o carro, a vida é como uma grande peça de teatro que não permite ensaios – por isso às vezes os atores são tão ruins nas suas interpretações. Nós criamos nossa própria história e se ela não agrada a quem queremos, so sorry, não há oportunidade de voltar e refazer a cena. No máximo dar um novo destino aos personagens, a partir daquele ponto. É por essas e por outras que eu tento cuidar com tanto carinho dos coadjuvantes da história da qual sou protagonista, a história da minha própria vida! (Na foto, explicamos como funciona a "guerra de polegar", para quem não lembra da brincadeira)

15 de fevereiro de 2009

Como é difícil ser Robert Redford

Publicado originalmente em 22/09/2008
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Eu li esses dias em outro blog que a vida é na verdade como um filme onde cada um é protagonista de suas próprias histórias. E concordo inteiramente. Mas é legal também ver como determinados filmes acabam servindo como belas metáforas para várias cenas da vida real. Ou como cada um, à sua maneira, também acaba criando suas comparações e ligações entre a vida e a arte.
Toda vez que assistia ao filme “Proposta indecente”, sempre procurava ver a história pela ótica do David Murphy, personagem do Woody Harrelsson, o marido apaixonado e abandonado, e não pelo personagem do Robert Redford, o sedutor John Gage que aparentemente tudo podia.

Vocês lembram a cena chave do filme? Quando Robert Redford dentro de sua limusine finge que a Demi Moore não significava nada para ele, (mesmo que ele, na verdade, a amasse), para que assim ela voltasse ao marido? Eu sempre achei muito altruísmo da parte dele, ainda mais quando ele justifica sua atitude para o motorista e confidente algo do tipo: “tinha que deixá-la ir... aquele olhar dela... ela nunca iria me olhar da maneira que olhou para ele”.
Esses dias lembrei do filme muito claramente, e fiquei pensando no personagem do Robert Redford... achei que em algum momento da vida, se isso acontecesse comigo, eu conseguiria ter o mesmo altruísmo... mas será que consigo mesmo? E se, diferente do Robert Redford, eu visse nos olhos da minha Demi Moore o mesmo olhar para mim, e não para o outro... Tudo não seria ainda mais difícil? Ser John Gage, personagem de Robert Redford, deve ser, sem dúvida, muito complicado. Ainda mais se o filme se passa na vida real.

Porque é ruim ficar em meio a uma corda bamba de emoções. John Gage sabia que era um homem melhor que David Murphy, mas também sabia que ser melhor não queria dizer necessariamente que faria Diana (Demi Moore) mais feliz. Mas quem pode ter tanta certeza a respeito disso????

Filmes, filmes... Já dizia o Nietzche, ARS EXISTIT NE VERITAS NO DESTRUAT
EM TEMPO: Vocês sabiam que esse filme ganhou várias Framboesas de Ouro (O “Oscar” dos piores filmes), incluindo pior filme e pior ator (Woddy Harrelson)??? Tá bom, ele não é nenhum Blockbuster, mas também não era para tanto, vocês não acham...

Libertação

Publicado originalmente em 12/09/2008
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Quase uma da manhã, e estou na frente do computador. Retomando a velha praxe. Apesar do cansaço da viagem de volta à Porto Alegre, sigo aqui. Foi bom não estar na cidade por esses dias, mas é bom também retornar.
Entre conversas disfarçadas ditas pelo msn e a preguiça de terminar de desfazer a mala, estico o braço e pego meu livro de poesias do Mário Quintana guardado na estante. Passo à folheá-lo procurando trechos quaisquer de poemas e encontro esta passagem...
"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!".
Muitas vezes a gente se vê refletido em palavras, poemas, mesmo em textos que nos aparecem... Um poema pode ser mesmo um espelho ou uma fotografia instaantânea da alma do leitor, acho que já falei isso em outro post. O que importa é que velhinho realmente sabia das coisas quando escrevia.
Sigo correndo os títulos..."História Contemporânea", "Romance sem palavras" até que paro em "Libertação". Leio. Deixo o poema transcrito logo abaixo encerrando o post, tenho mesmo que dormir...que venha a semana...

LIBERTAÇÃO

...até que um dia, por astúcia ou acaso, depois de quase todos os enganos, ele descobriu a porta do labirinto.
...Nada de ir tateando os muros como um cego.
Nada de muros
Seus passos tinham - enfim! - a liberdade de traçar seus próprios labirintos.