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30 de setembro de 2010

Onde está o problema?

Essa semana, às vésperas da eleição que decide nosso futuro nos próximos quatro anos, decidi vir aqui escrever sobre o que tenho visto, lido e ouvido. Ao que tudo indica, Lula será o grande vitorioso desta eleição, não só pela popularidade do seu governo, mas também pela sua declarada intenção de tornar essa eleição plebiscitária – concorde-se ou não com a estratégia. Em meio a tudo isso, jornais, telejornais e outros veículos de mídia se retorcem em teorias e debates tentando explicar como um governo tão bombardeado com supostos indícios de corrupção e tráfico de influência consegue fazer seu sucessor, aparentemente estupefatos pela sociedade não reverter essa situação votando na oposição.

Causa-me um misto de espanto e curiosidade perceber que em nenhum momento as pessoas “indignadas” e os meios de comunicação deixam de tentar buscar explicações na máquina do governo, no Lula, no “voto dos pobres” etc, e não na principal causa de fato: a total ausência de alternativas na oposição, frente ao  que o Brasil parece ter consolidado como seu desejo enquanto nação. Marina Silva, tal qual Cristovam Buarque na eleição anterior e tantos outros que já apareceram ou ainda aparecerão, serão sempre a opção bem intencionada, íntegra, por vezes até “cult”. Mas a sociedade já amadureceu suficientemente para perceber que boas intenções de nada servem sem sustentação política e projetos administrativos viáveis. Resta a opção que parte da classe média emergente e/ou conservadora e setores da grande mídia tentam empurrar goela abaixo como única alternativa viável: o PSDB. Acontece que as pessoas não perceberam que o modelo de governo proposto pelo PSDB não é, na conjuntura atual do país, aquela que vai ao encontro dos anseios da grande maioria da sociedade. José Serra está longe de ser uma pessoa reacionária e conservadora, pelo contrário, até acredito que ele tenha sido de fato um bom administrador em São Paulo. Mas o modelo de condução e de desenvolvimento de país que ele propõe, bem como qualquer outro do grupo de pessoas que o apóiam, repito, não representa o que o Brasil precisa agora – e pelo que dizem as pesquisas, o que o Brasil parece querer, de fato. O discurso social da oposição soa “fake”, não convence nem atrai o eleitorado, uma vez que esse grupo de oposição sempre foi contra o modelo de desenvolvimento social proposto pelo governo Lula; e o viés tecnocrático da proposta do PSDB não empolga ninguém além do Reinaldo Azevedo e de outros colunistas da Veja.

A única esperança de um governo de oposição, a meu ver, alcançar o poder no Brasil em curto prazo reside na criação de um modelo alternativo de governo ao PT, mas não esse hoje proposto pelo PSDB. Um programa que aceite, de fato, a necessidade de viés social de uma administração pública. O problema é que as pessoas que hoje são oposição ao Lula e seu governo parecem não querer rever seus conceitos. Nesse caso, estão fadados a um retumbante fracasso, como o que parece se configurar.

12 de abril de 2010

Chega de hipocrisia barata


Como todo ano de eleição, vejo minha caixa de e-mails ficar lotada de correntes, spams e assemelhados tentando “abrir os olhos do povo brasileiro” ou “da sociedade gaúcha”, no caso aqui do Rio Grande do Sul. Sinceramente, independente de quaisquer ideologias ou pontos de vista, qualquer pessoa minimamente inteligente sabe tratar-se de hipocrisia barata, estimulada via de regra por pessoas sem a isenção necessária.

Agora, começaram os ataques a José Serra e Dilma Rousseff, dos quais possivelmente sairá o próximo governante do Brasil. Pois quero compartilhar com vocês minha visão.

Pouco me importa se no passado Dilma optou pela luta armada contra o regime ditatorial brasileiro da época ou se Serra era filho de verdureiros. É secundário o fato de Dilma ter sido torturada ou de Serra considerar-se economista sem o devido reconhecimento universitário compatível. Se Serra não tem carisma ou se Dilma é brava, qual a influência disso sobre as políticas públicas de ambos? Tanto Serra como Dilma são pessoas com várias controvérsias em seus passados políticos e suas personalidades, mas não menos do que a maioria de cada um de nós, em outra escala. Não vejo, contudo, nada que desabone tanto um em detrimento de outro em termos de retidão de conduta ou história pessoal pregressa. É mais ou menos empate técnico, para o bem ou para o mal. O que eu quero, ao contrário, é discutir a visão administrativa de ambos. Aliás, não deles, mas de tudo e todos que os apóiam.

Interessa-me sim discutir por que o MST esqueceu sua função social e se é comandado por homens das cavernas que perderam o bonde da história. Mas também por que as elites sócio-políticas paulistanas e cariocas mesmo com orçamentos bilionários em seus Estados não se interessaram em impedir o caos urbano e social que suas cidades hoje vivenciam. Interessa-me discutir alternativas ao assistencialismo puro e simples, mas também a falta de perspectivas imediatas para quem tem 3 ou 4 gerações comprometidas com a miséria e falta de educação.

Interessa-me discutir políticas públicas, visão de futuro, economia. Comparar gastos públicos, obras, distribuição de renda, questões ligadas aos índices de saúde, emprego e moradia. O que os grupos que defendem um e outro realizaram, e o que ainda podem realizar. Quais governos aumentaram ou diminuíram gastos com ciência & tecnologia, como enfrentam o déficit habitacional brasileiro. E assim por diante.

Pouco me importa saber se a corrupção começou ou se foi maior com o PT, PMDB, PSDB, DEM... ladrão, corrupção é corrupção em qualquer instância, e cabe aos órgãos competentes julgar e punir, sob a forma da lei. E, nós, nos insurgirmos contra isso através dos meios democráticos, mas não desacreditando as instituições. Mas isso tudo sem aceitar essa argumentação hipócrita de quem exige lisura e honestidade sem também a ter. Até porque o maior de todos nesse sentido foi governador “caçador de marajás” de Alagoas na década de 80, Fernando Collor de Mello. Bem sabemos o desfecho.

Pensem nisso na próxima vez que uma pessoa “esclarecida” lhe mandar um e-mail que circulou e recirculou 234200 vezes pela internet, escrita por alguém sem a isenção necessária, que você não tem como descobrir quem é, e com dados que muitas vezes você não sabe de onde vieram. Sinceramente, quem acha que o brasileiro médio usuário da internet se deixa influenciar por estes e-mails?

7 de janeiro de 2010

O que ficou da década - parte 2

Seguindo a proposta do meu amigo e blogger Ricardo, estou aproveitando esse período de “férias” (para quem?) para fazer uma análise pessoal de fatos relevantes dessa última década. No seu blog Artigolândia ele começa falando de alguns fatos políticos. Sei que uma parte dos leitores daqui não é muito afeita a estas discussões, mas é um tema que eu gosto muito de debater, também. Mas prometo ser tão breve quanto possível.


Internacionalmente, não dá para negar que os EUA foram o foco principal. Vindos de uma época de estabilidade com Bill Clinton e ainda absorvendo a primeira década sem Muro de Berlim e sem União Soviética (ou seja, sem guerra fria), a ascensão (duvidosa) do pífio George W. Bush e o ataque às torres gêmeas foram um cartão de visita do clima conservador que foi imposto à America e que alavancou guerras com intenções econômicas travestidas de políticas. Aliás, como a maioria das guerras. E a conseqüência disso foi, como de fato Ricardo comentou em seu blog, o início do fenômeno Barack Obama. Confesso: sou fã do Obama. Li um livro sobre ele e já participei de debates no Orkut na época eleitoral. Ele é a “audácia da esperança”, como o livro que ele mesmo escreveu diz. Mas concordo quando dizem que ele é a pessoa certa na hora errada. A missão de curar as cicatrizes de uma administração imbecil como a de Bush e da crise de 2008 são missões inglórias, que talvez nem mesmo seu brilho pessoal possa ajudar a reverter.

Por falar em esperança, foi ela que venceu o medo e alavancou Lula à presidência, à despeito da desconfiança de muitos, além da Regina Duarte. E entramos, assim, no cenário nacional. Diferente do Obama, a vida do nosso presidente foi facilitada por uma meritória estabilidade alcançada por uma administração técnica do seu antecessor, FHC. Mas era preciso mais. Um país com as diferenças e desigualdades como o nosso precisava de mais. Se Lula era a única ou a melhor opção, não sei, mas foi ele que de fato conduziu o país, ajudado ou não por condições favoráveis, a um período de desenvolvimento, com mudanças de paradigmas importantes. De ruim, o fato da nossa política estar cada vez mais desmoralizada nos seus mais diversos escalões, mas que por favor ninguém venha culpar a democracia por isso... políticos são reflexo da sociedade que os elege.

Por fim, tenho certeza que o Ricardo gostaria que eu fizesse um contraponto ao que ele chamou de “América Vermelha”, ou seja, o aumento de presidentes de esquerda na América Latina. Eu diria que foi uma conseqüência natural do esgotamento do modelo conservador imposto nos anos 90 na região, e que quase quebrou países como Peru e Argentina. Mas esse cenário atual naturalmente tende a se esgotar também nos países onde não houver competência administrativa e sim populismos exacerbados. Cada um escolhe o quer ser: Chávez ou Lula, Evo ou Bachelet.

2 de outubro de 2009

Reacionários

Via de regra prefiro postar textos autorais aqui no blog, até por ser partidário das políticas de originalidade defendidas e difundidas por sites como o Dicasblogger. Mas hoje vou postar aqui parte da coluna do jornalista Juremir Machado da Silva para um periódico aqui de Porto Alegre, disponível na mídia impressa e online. Nela o jornalista comenta o comportamento de três ilustres figuras do cenário opinativo brasileiro, com recentes obras literárias publicadas, a saber Ali Kamel (diretor de jornalismo da Globo), Reinaldo Azevedo (colunista da revista Veja) e Demétrio Magnoli (acadêmico que escreve para a revista Época e para o jornal Folha de São Paulo). Acho que ilustra um pouco mais a visão que já debati no post anterior. Escreve Juremir sobre os três, em determinado ponto da coluna:

"O curioso é que eles se pretendem racionais, universalistas e sem ideologia. Só os seus adversários é que seriam ideológicos. A lei que comanda os ataques do trio mais reacionário da mídia brasileira é simples: se há movimento social, eles são contra. Sempre. Azevedo acredita que a corrupção nasceu com o PT. Magnoli jura que não existe "fronteira racial" na consciência dos brasileiros. Em nome de um pretenso universal, cuja existência concreta ainda não conseguiram demonstrar, os três investem contra esquerdismos estatizantes, cotas, multiculturalismo, sem-terra, sem-teto, sem-mídia, sem nada e principalmente contra toda tentativa de mexer nas cartas da sacrossanta ordem mundial do Deus mercado.

Na guerra santa que lideram contra o atraso de esquerda, praticam o atraso de direita sem qualquer pudor e com direito a boas doses de ingenuidade, hipocrisia e confusão intelectual. Confundem a crítica ao superado marxismo e ao defunto socialismo real, cujas lembranças ainda embalam alguns desvairados, com a rejeição a qualquer demanda de reforma social."

Quem desejar, pode ler texto na íntegra neste link

30 de setembro de 2009

Visões de Mundo

Em um espaço de menos de uma semana tive oportunidade de ter uma mesma conversa, em momentos distintos, com diferentes amigos sobre como vemos determinadas coisas que acontecem na nossa sociedade. Alguns diriam que conversamos sobre política e economia, mas eu prefiro dizer que compartilhamos nossas visões de mundo. Sim, pois, a despeito das visões apaixonadas que temos nesses momentos em que se discutem temas controversos, estamos pondo à mostra a maneira com que encaramos a realidade que nos cerca e a perspectiva de mundo que queremos ou sonhamos.

A história já se encarregou de sepultar os devaneios coletivistas que comunistas e fascistas imaginavam ser a utopia de um mundo sem diferenças. Tais devaneios demonstraram-se ingênuos ou então propícios apenas para que atrocidades incríveis fossem cometidas em nome de uma suposta igualdade entre os homens. O ser humano tem um desejo e uma ambição natural de ser diferente de outro. E trocar Liberdade por Igualdade demonstrou-se tão perigoso quanto trocar Liberdade por Ordem, como as ditaduras militares impuseram na América Latina no passado. Cuba está aí para provar isso.

Mas isso não quer dizer que o que restou após a queda do muro de Berlin seja bom ou suficiente. Aliás, bem pelo contrário.

Você estar inserido em um contexto não lhe obriga a, necessariamente, concordar com ele. Vivemos em um mundo capitalista, em uma sociedade de consumo, da valorização do “eu” em detrimento do “nós”. Mas sou terminantemente contra o pensamento de que “o mundo é assim, temos que nos adaptar”. Isso faria de nós um rebanho de bois sem consciência crítica. Eu tenho minhas aspirações financeiras, mas não estou disposto a pagar qualquer preço por isso. Minha felicidade está antes de tudo no que sou, e não no que possuo. Vez por outra tenho vários ímpetos consumistas, mas jamais pagarei R$ 400,00 por um tênis só pelo status social que ele proporciona ou por que uma bem treinada equipe de marketing fez as pessoas acreditarem que ele é muito mais confortável que outro.

Creio que nenhuma pessoa em sã consciência e minimamente preparada seja, em tese, contrário à livre iniciativa. Mas se a ambição humana é uma condição normal nossa, se o homem é cada vez mais individualista, se o homem cada vez mais é o lobo do homem, é preciso que a sociedade formal, na figura dos seus administradores e governantes, crie algum mecanismo que impeça que essa natural vocação dos homens pela desigualdade maximize as diferenças sociais tão gritantes entre as diversas camadas sociais. Diferenças essas que são responsáveis por grande parte das mazelas que vivemos hoje em dia.

Isso pode ser mal compreendido pelas pessoas, principalmente por aquelas que não corroboram do mesmo pensamento e, por serem justamente contrárias a isso, criam estereótipos e pensamentos maniqueístas a respeito do assunto. Porém mais do que certo e errado nessa discussão, há claramente uma visão do mundo que defendemos, como comentei no início. E, no mundo que eu defendo, o “eu” e o “nós” tem de, necessariamente, caminhar juntos.

E você, que visão de mundo defende?

23 de junho de 2009

Quem é o cara?

Estou entre as pessoas que guardam admiração à figura de Barack Obama. Não só pela eloquência de seu discurso conciliador como também por suas ideias diferenciadas para um presidente norte-americano. Barack Obama recebeu uma herança ruim do seu antecessor, mas não parece assustado com o desafio. Ainda que a prática seja não tão diferente, o olhar de Obama pra o resto do mundo já não é mais aquele de cima para baixo que costumávamos ver em W.Bush, Bush pai, Reagan e até mesmo um pouco em Bill Clinton, embora fosse uma figura simpática. Não deixa de ser surpreendente que a preconceituosa e burra classe média branca americana tenha permitido a ascensão de um líder com pensamentos tão cosmopolitas e engajados. Talvez Obama não seja o líder que os EUA mereçam, mas certamente é o cara que eles precisavam agora para, quem sabe, abrir seus olhos um pouco para o mundo à sua volta.

Estou lendo um livro ótimo sobre ele - "O Deus de Barack Obama - porque não existe liderança sem fé", que conta um pouco dos desafios dele na campanha presidencial, quanto à questões ligadas à fé e religião versus política. E também como que estas questões ajudaram a formar as ideias e os ideais dele, a partir de suas experiências: criado por uma mãe absolutamente cética e com pensamentos ateus, a convivência com o padastro muçulmano na Indonésia e sua conversão ao Cristianismo em Chicago, já depois de formado em Colúmbia e Harvard e começando um trabalho político-social.

A medida que leio o livro, mais me admira algumas posições e questionamentos dele, fruto de seu pensamento crítico e sua diferenciada intelectualidade. Abaixo, segue um trecho de um discurso dele antes da eleição justamente enfocando alguns destes aspectos. Vale para refletir várias coisas. Mas que eu deixo para um post futuro.


21 de março de 2009

Sinal dos tempos?

Diferente da maioria da população brasileira, eu sempre me interessei muito por política. Acho engraçadas as pessoas que dizem que não estão nem aí para política, para os políticos, etc. Ainda que estes últimos nos encham de motivos de descrença, como ignorar algo que é responsável pelo funcionamento de tudo que está à nossa volta? Estradas, hospitais, educação, saneamento, segurança, tudo depende das políticas públicas do Estado que as pessoas ignoram!!! Não parece um contra-senso? Além do mais, “política” é algo que construímos dia-a-dia em todas as nossas relações humanas. Portanto cuidado quando escuta alguém dizer que “ignora” completamente qualquer coisa relativa ao assunto.
Feita essa breve introdução, este texto foi motivado por uma foto e reportagem que vi, se não me engano, dias atrás no site do jornalista Paulo Henrique Amorim. Mostrava uma foto dos presidentes Lula e Obama. Talvez poucas pessoas notem como é emblemática essa foto. São dois presidentes de duas importantes nações do cenário geopolítico mundial. Um afro-descendente com sobrenome muçulmano e um ex-operário. Há dez, vinte anos atrás, seria possível imaginar essa situação? Certamente que não.
Esse sinal de “novos tempos” nas políticas brasileira e norte-americana fica ainda mais evidente se compararmos encontros de presidentes dos dois países em tempos passados. Fazendo uma rápida pesquisa no Google Imagens, pude encontrar alguns desses registros.

Na primeira foto (A), Harry Truman, ex-fazendeiro e ex-presidente dos EUA que autorizou o lançamento da bomba atômica em Hiroshima, e que implementou o macartismo, na foto junto de Eurico Gaspar Dutra, ex-marechal do exército e ex-presidente do Brasil; Em (B), Geoge Bush pai, grande empresário e presidente mentor da Guerra do Kuwait ao lado de Fernando Collor de Mello, também empresário e o jovem, bonito e promissor político que venceu o “sapo babudo” para depois sofrer impeachment. Na foto (C), Ronald Reagan, ex-ator de western hollywoodiano, e o “imortal” José Sarney, ex-presidente e hoje um dos homens fortes do “exemplar” Senado brasileiro. Por fim, FHC e Bill Clinton, este advogado, aquele sociólogo. Clinton e Fernando Henrique foram considerados bons presidentes pela maioria dos eleitores, mas coincidentemente ambos não conseguiram eleger seus sucessores. Além disso, eram figuras claramente identificadas com uma parcela muito aristocrática da sociedade. Clinton foi governador por 5 mandatos do conservador estado sulista do Arkansas. FHC, por sua vez, desfruta até hoje de prestígio de setores muito bem definidos da elite político-econômica paulistana.
Obama e Lula têm origens diferentes e distintas, mas ainda sim impactantes. O atual presidente dos EUA é filho de um economista negro queniano e uma antropóloga americana branca. Embora não seja diretamente descendente de escravos, sua esposa é, e ele leva consigo essa imagem-símbolo. Lula, sim, tem uma origem humilde, bem conhecida de todos, e foi eleito, também, muito em cima dessa história pessoal.
Obama. Lula. Mulheres assumindo o poder (como na Argentina), a China se abrindo para a economia de mercado. Novos ares nessa nossa grande aldeia global? Mudanças de visão? Não em todo, bem sabemos (Irã, Israel, Rússia...), mas uma boa amostra está aí, para quem quiser ver. O mundo mudou muito após a queda do muro de Berlim, da revolução da tecnologia de informação. São as gerações X e Y assumindo o leme da história, no lugar das gerações baby boomers filhas da guerra fria pós-45.