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8 de agosto de 2011

Texto antigo de 2009

Texto antigo que escrevi em 2009, mas que é um dos meus preferidos deste blog. Para quem ainda não tinha lido, lá vai.


VISCERAL


Uma coisa que eu já notei ao longo desses 18, 19 meses em que eu escrevo em blogs é a forma como as pessoas reagem a determinados textos. Na maior parte das vezes, os leitores se impressionam mais com posts onde abordo pensamentos meus, ou ideias sobre o comportamento humano. Acho que porque pondero e falo aquilo que muitos pensam ou gostariam de dizer, mas nem sempre encontram palavras ou a coragem para se expor assim, tão abertamente. Falar o que sentimos ou guardamos dentro de nós para outras pessoas não é uma tarefa fácil, exige respeito com as nossas verdades (que nem sempre são absolutas), sabedoria para saber usar as palavras certas, na hora certa, prudência para não causar mágoas e principalmente determinação para saber arcar com as conseqüências. Sim, porque se pensamos e agimos de determinada forma, temos que saber assumir essas nossas posturas perante os outros. 

Longe de eu ser pretensioso em achar que posso ter todo esse discernimento para agir ou usar as palavras, pelo contrário. Tenho qualidades e defeitos como qualquer um, mas não tenho medo de assumi-los e com isso tentar me tornar uma pessoa melhor, comigo mesmo e com as pessoas que eu amo. Ainda assim, falo, falo, falo... e escrevo. Como eu gosto de escrever o que sinto e vejo nesse mundo!!! Escrevo porque corre em mim essa vontade imensa de me transbordar através das palavras. Não quero me limitar ao prático, ao conveniente. Facilitaria meu convívio com as pessoas, mas não seria eu, Daniel. Porque sou assim, intenso, visceral, apaixonado, passional que deixo aqui registrado as coisas que vocês leem. Porque assim é a vida também. Intensa. Basta a gente não ter medo de assumir o que pensamos, o que fazemos, o que desejamos, o que nos incomoda ou nos alegra.

17 de dezembro de 2009

Felicidade


Felicidade é um estado de espírito que não precisa de divulgação. Você sabe exatamente quando alguém está feliz: seus olhos denunciam, seu ar confiante invade a sala, sua paz interior transborda além de si mesmo. Não por acaso, quando vejo alguém alardear aos quatro cantos da sua própria felicidade, está claro que a pessoa está tentando convencer a si mesma disso, e não a qualquer outro. Lembro de um amigo que semanas antes havia passado por problemas, e volta e meia se pegava falando no caso: “To bem agora, to me sentindo tranqüilo, espírito leve, blá, blá, blá.” Quanto mais ele falava, mais me convencia do contrário. Como comentei antes, era muito mais um processo de convencimento pessoal do que qualquer outra coisa. E como as pessoas sentem necessidade de serem convencidas por si mesmas que estão felizes! E, nessa busca insólita, sofrem sem necessidade, amam exageradamente, materializam a felicidade em sonhos fúteis ou em alegrias efêmeras, e, assim, acordam um dia de manhã com um aperto no peito que não sabem de onde vem, embora a resposta esteja tão próxima quanto óbvia... de fato a felicidade não é um fim, mas um meio.

Ser feliz é ser leve. E não depende de propaganda.

Por isso não tentem me perguntar sobre felicidade. Ela está estampada no meu rosto para quem quiser ver, sempre que de fato existir. Aliás, no rosto de qualquer pessoa feliz.

30 de setembro de 2009

Visões de Mundo

Em um espaço de menos de uma semana tive oportunidade de ter uma mesma conversa, em momentos distintos, com diferentes amigos sobre como vemos determinadas coisas que acontecem na nossa sociedade. Alguns diriam que conversamos sobre política e economia, mas eu prefiro dizer que compartilhamos nossas visões de mundo. Sim, pois, a despeito das visões apaixonadas que temos nesses momentos em que se discutem temas controversos, estamos pondo à mostra a maneira com que encaramos a realidade que nos cerca e a perspectiva de mundo que queremos ou sonhamos.

A história já se encarregou de sepultar os devaneios coletivistas que comunistas e fascistas imaginavam ser a utopia de um mundo sem diferenças. Tais devaneios demonstraram-se ingênuos ou então propícios apenas para que atrocidades incríveis fossem cometidas em nome de uma suposta igualdade entre os homens. O ser humano tem um desejo e uma ambição natural de ser diferente de outro. E trocar Liberdade por Igualdade demonstrou-se tão perigoso quanto trocar Liberdade por Ordem, como as ditaduras militares impuseram na América Latina no passado. Cuba está aí para provar isso.

Mas isso não quer dizer que o que restou após a queda do muro de Berlin seja bom ou suficiente. Aliás, bem pelo contrário.

Você estar inserido em um contexto não lhe obriga a, necessariamente, concordar com ele. Vivemos em um mundo capitalista, em uma sociedade de consumo, da valorização do “eu” em detrimento do “nós”. Mas sou terminantemente contra o pensamento de que “o mundo é assim, temos que nos adaptar”. Isso faria de nós um rebanho de bois sem consciência crítica. Eu tenho minhas aspirações financeiras, mas não estou disposto a pagar qualquer preço por isso. Minha felicidade está antes de tudo no que sou, e não no que possuo. Vez por outra tenho vários ímpetos consumistas, mas jamais pagarei R$ 400,00 por um tênis só pelo status social que ele proporciona ou por que uma bem treinada equipe de marketing fez as pessoas acreditarem que ele é muito mais confortável que outro.

Creio que nenhuma pessoa em sã consciência e minimamente preparada seja, em tese, contrário à livre iniciativa. Mas se a ambição humana é uma condição normal nossa, se o homem é cada vez mais individualista, se o homem cada vez mais é o lobo do homem, é preciso que a sociedade formal, na figura dos seus administradores e governantes, crie algum mecanismo que impeça que essa natural vocação dos homens pela desigualdade maximize as diferenças sociais tão gritantes entre as diversas camadas sociais. Diferenças essas que são responsáveis por grande parte das mazelas que vivemos hoje em dia.

Isso pode ser mal compreendido pelas pessoas, principalmente por aquelas que não corroboram do mesmo pensamento e, por serem justamente contrárias a isso, criam estereótipos e pensamentos maniqueístas a respeito do assunto. Porém mais do que certo e errado nessa discussão, há claramente uma visão do mundo que defendemos, como comentei no início. E, no mundo que eu defendo, o “eu” e o “nós” tem de, necessariamente, caminhar juntos.

E você, que visão de mundo defende?

27 de agosto de 2009

Decisões


A vida é recheada de decisões que temos que tomar ao longo desse nosso percurso tortuoso por esta Terra cheia de possibilidades. Aceitar ou não um novo emprego, continuar ou terminar um relacionamento, fazer um cruzeiro ou investir nosso dinheiro, férias na praia ou no campo, carreira ou família, dormir um pouco mais ou chegar na hora certa da reunião. Às vezes temos mais opções, mas na maioria das vezes é preto ou branco, certo ou errado, paz ou guerra. E as conseqüências, independente das escolhas, podem ser agradáveis ou frustrantes. A vida não é prodigiosa em tarefas fáceis, muito pelo contrário. Nessas horas lembro da época que li Sartre no colégio, e do que ele falava quanto a sermos livres e responsáveis pelas nossas decisões. Estamos condenados a ser livres. Não há fuga para a nossa responsabilidade em decidir. Será? A insegurança geralmente é a pior das conselheiras. Nos acovarda, nos diminui, nos faz precipitar ou adiar as decisões. E talvez por isso nos faz tomar as decisões com medo do que vem pela frente. Ou adiar atitudes que temos que ter. Sartre dizia também que muitas vezes queremos que outros decidam por nós, quando a decisão, no final das contas, sempre é nossa.

E é verdade. Geralmente sabemos o que queremos, ou o que devemos fazer. No fundo, no fundo, não importa o que os outros digam, a gente já tem a ideia cristalizada na mente, e fica apenas a espera da aprovação dos outros ou, covardemente, que alguém nos “guie” no caminho de uma decisão que não nos cause arrependimento. Mas o maior arrependimento, no final das contas, sempre acaba sendo perceber que não fizemos o que sabíamos que devíamos fazer.

Como já escrevi em outro texto deste blog (clique aqui para lê-lo), "nossos medos nos fazem pessoas que não somos. Confie em você, e o tempo faz o resto."

17 de agosto de 2009

Entardecer (de mais uma primavera)


Comemorar aniversário geralmente tem um significado diferente para cada pessoa. Alguns ficam desanimados com a maturidade inevitável, outros colocam a data como a mais especial da agenda no ano. Alheio a qualquer das alternativas, sempre vi meu aniversário como uma oportunidade de juntar a família e os amigos ao meu lado, para simplesmente celebrar o fato de ter uma vida muito feliz. E o saldo tem sido imensamente positivo, acreditem.

É engraçado que quando ultrapassamos a barreira dos 30, as pessoas têm aquela ideia que a “juventude” se foi de vez, que a vida de responsabilidades chatas e enfadonhas está de vez maculando parte da nossa alma. Perguntam como é a sensação, o que penso a respeito, etc, etc. Sinceramente, esses últimos 12, 18 meses têm sido fantásticos. Ainda guardo na memória a época do meu mestrado, dos amigos e de tudo que vivi entre meus 23 e 25 anos, talvez os melhores anos da minha vida. O que veio depois dos 26 foi bom, me trouxe felicidade, amadurecimento. Mas agora, passado os 30, a vida tem aberto tantas perspectivas, tantas coisas boas que é impossível não pensar que está cada vez melhor vivê-la!!

“A vida é maravilhosa para quem não tem medo de vivê-la”, falou o genial Charles Chaplin, e eu concordo plenamente. Você faz a sua vida mais ou menos intensa, séria ou despretensiosa, alegre ou cheia de neuras, exitosa ou indecisa. Eu optei por ver a felicidade como um meio, e não um fim. E hoje, após as comemorações do meu aniversário, agradeço a Deus por tudo de bom e de ruim que me aconteceu, e tudo de bom e ruim que ainda virá, e que me tornará o que sou. Feliz não por querer o que é materializável, mas por desejar o indefinível. Não por ter, mas por ser. Não por ser amado, mas por amar intensamente. Sempre.

16 de julho de 2009

Homo homini, lupus est


Você já parou para pensar quanto do nosso discurso é teoria e quanto do nosso discurso é prática? Quais são os valores que achamos certos e quais valores conseguimos efetivamente colocar em prática no nosso dia a dia? Antes de você, após ler isso, iniciar um processo de auto-flagelação ou de condenação alheia, uma importante ressalva: essas reflexões não têm objetivo de condenar nossos comportamentos. São apenas uma forma de explicitar nossa condição humana em palavras. Vivemos um eterno conflito interior entre o que achamos que são atitudes que devemos ter e esperar das outras pessoas, e as que acabamos realizando ou aceitando, convenientemente, por diferentes razões. Por vergonha de uma reação questionadora, por amizade, por medo de reprovação ou da solidão, fazemos vista grossa, relativizamos cláusulas éticas antes pétreas nas nossas vidas. Buscar a felicidade é uma condição instintiva do ser humano, mas os percalços que insistem em atravessar a nossa frente e nos porem à prova por vezes são cruéis. Exigem tomadas de posição que nem sempre podemos ter. E nos forçam a, muitas vezes, dissimular. Até que ponto isso é aceitável? Aliás, isso é aceitável? Será que o politicamente correto às vezes não invade excessivamente nossa vida? Ou será o contrário, deixamos o correto de lado para nos favorecer quando necessário? Será que é errado querer que as pessoas tomem posição ou partido das coisas nas suas vidas, mesmo quando os momentos não são tão favoráveis? Ou será que a vida em sociedade seria um inferno se cada um não abstraísse um pouco certas coisas às vezes? Sim, hoje estou filosófico demais, nem sei se eu me entendo aqui...

Afinal, não é o mesmo cidadão que omite dados no imposto de renda (“afinal, todo mundo faz isso, por que eu vou ser o único bobo a não fazer?”) que depois reclama da esperteza dos políticos que desviam dinheiro público? Não é apenas uma diferença de escala entre um e outro? E quando você critica a violência e a impunidade, agiria igual se fosse seu filho que estivesse dirigindo bêbado e fosse acusado de causar um acidente? (“Ele é um menino bom, estudioso, de família... não pode ter a vida estragada só porque cometeu um deslize momentâneo”). Essa relativização ao mesmo tempo em que nos salva, nos condena. Será que em cada momento que fraquejamos, em que temos medo do desconhecido, não matamos um pouquinho de nós mesmos dentro da gente? Se, ao contrário, mantemos nossas convicções inabaláveis, não serão elas que talvez (justamente) nos alavanquem no caminho da felicidade? Ou será que realmente existe a questão da escala?

Juro para vocês que não tenho a mínima idéia do que quis escrevendo isso, mas veio a minha mente essa história, e achei interessante publicar.

O homem é lobo do homem. Pior que isso, às vezes nós somos lobos de nós mesmos.

13 de junho de 2009

Em ritmo de arraial

Uma das coisas mais gratificantes de trabalhar com pesquisa em pós-graduação é a oportunidade única que tenho de conviver com pessoas dos mais diversos locais do país. Explico: aqui a Engenharia Civil da Universidade atrai pessoas dos mais diversos cantos para fazer mestrado/doutorado. E eu, ali estudando/trabalhando por mais vários anos, ganhei amigos que hoje estão ou aqui ao meu lado, ou espalhados por Fortaleza, Salvador, São Paulo e até mesmo Pittsburgh, Madrid, Manchester... É interessante perceber que tenho amigos em todos os lugares, que deixam um pouco de si e levam também um pouco de mim para todos os locais. Mas o melhor de tudo, mesmo, é a interação cultural que esses contatos me proporcionam. Uma vez um grupo de amigos me deu o apelido de “gaúcho mais cearense que existe”, e eu ostento com o maior orgulho esse “título”, pelo que ele representa, de certa forma, na interpretação dessas pessoas e também pela minha própria história pessoal.

Aqui no Sul algumas pessoas, até vergonhosamente, tem uma visão muito estereotipada e bairrista a respeito de algumas diferenças (que sequer conhecem bem) entre as pessoas e as regiões do Brasil, que não são fruto de competência ou formação, na maioria das vezes. São, simplesmente, diferenças culturais, e como diferenças culturais deveriam ser interpretadas, e não de capacitação intelectual ou laboral de um povo.

Pois falando em diferenças culturais, para a minha decepção, aqui em Porto Alegre (e na região Sul em geral) as festas juninas passam quase despercebidas. Menos mal que eu participo de um grupo que sempre organiza uma festa de São João regada a muito quentão, bolo de fubá, bandeirinhas e...muito forró para dançar!!

Pois é, com 19,20 anos comecei a aprender a dançar forró e, desde então, essa virou uma das minhas paixões. Notem bem, não quer dizer com isso que aprendi a dançar muito bem, mas gosto de dançar. Um dia quem sabe escrevo só sobre isso. Lembro que no início dos anos 2000 houve uma febre de forró na cidade, boates tocavam o ritmo a noite inteira, era bom demais...mas passou, como toda modinha. Mas não para mim. Ainda adoro uma festa de São João. Então, que venha o arraial!!!

7 de junho de 2009

Abrir ou não abrir a caixa de Pandora?

Lidar com pessoas é um exercício de perseverança com nossas verdades e de avaliação do nosso discernimento com o impacto que podemos causar nelas. Não se iluda. Você causa, sim, impacto em TODAS pessoas que estão a sua volta, e elas em você. Não importa se por poucos minutos em um único momento ou durante toda uma vida, cada gesto, cada olhar, cada “sim” ou “não” afeta reações, altera consciências, molda comportamentos. Por isso que eu ressalto tanto, em diversos momentos, da responsabilidade que temos não somente com a nossa própria história pessoal, mas principalmente com todos que nos rodeiam.

A vida é recheada de decisões, e temos que arcar com as conseqüências das nossas escolhas em cada pequeno ato do nosso dia a dia. Escolher o caminho mais fácil geralmente conduz a uma felicidade igualmente mais evidente e atingível, porém também mais efêmera e menos compensadora. Quer dizer, esse conceito é muito subjetivo, muitas pessoas podem viver de felicidades efêmeras ao longo de toda uma vida e terem plenamente uma sensação de felicidade completa assim. Mas, lamentavelmente (ou felizmente, confesso que não sei definir), existem pessoas como eu, que não se conformam com o conforto da felicidade comodista ou da felicidade egoísta.

Nesse aspecto, o “eu” refletido no “outro” ganha uma importância que talvez a maioria das pessoas, egoistamente, dispensa. Mas há um problema básico. Quando nos relacionamos com as pessoas, das mais diferentes formas, abrimos uma verdadeira caixa de Pandora, cujo o resultado é imprevisível. Não há como saber se estamos sendo bem interpretados, se estamos cativando ou decepcionando, se somos alvo de admiração ou raiva. Às vezes fazemos o mal sem querermos, por outras vezes estamos sendo importantes sem mesmo nos darmos conta. Por isso que sinais são tão importantes. Muitos tem um instinto de auto-preservação que os impede de dar sinais, ou em outra perspectiva, de ser francos e autênticos, mesmo que a exposição os fragilize momentaneamente.

Temos que estar sempre cuidando dos sinais que compartilhamos com as pessoas, e não apenas preocupados com os sinais que desejamos ou que queremos que as pessoas nos mandem. Por isso que um sorriso dado na hora certa, o simples abrir de uma porta, um silêncio pensado, um exemplo que fica marcado na vida de outra pessoa, tudo isso também dá a certeza que estamos no caminho certo. No caminho da felicidade.

Você se preocupa com os sinais que deixa na vida das pessoas?


Adendo: A lenda da caixa de pandora geralmente é utilizada para fazer referência a algo que nos traz curiosidade em conhecer, mas que não deveríamos ter revelado o verdadeiro conteúdo ou sentido. Mas a história é bem mais complexa e instigante, vale a pena conhecê-la. Leia mais neste link ou neste link.

31 de maio de 2009

Quando o que queremos está (ou não) ao nosso alcance


Não sou daquelas pessoas que idolatram Paulo Coelho como um grande autor, muito menos adoto o discurso intelectóide de que o que ele escreve não é literatura. Tanto que até hoje li apenas um livro dele, O Alquimista, e gostei. Mas também por enquanto não me interessei por ler nenhum outro livro dele.

Estava lembrando do livro no dia que escrevi este texto. Da história dele.

Ele faz referências veladas ao chamado caminho de Santiago de Compostela, contando a história de um pastor que partira da Espanha, dos montes da Andaluzia impulsionado por um sonho que teve com um tesouro, o que o leva por uma longa viagem até o Egito - onde descobre que o tesouro sempre esteve enterrado nos montes da Andaluzia, exatamente no local onde ele o havia sonhado. Embora o objetivo central do enredo seja justamente fazer uma metáfora sobre o processo de auto-conhecimento, acho que a história se presta também a outras reflexões. Justamente as que eu estava tendo enquanto escrevia este texto.


O ser humano, de modo geral, é alguém que sonha. Idealiza. Tem fé. Por vezes, entretanto, passa à incredulidade. Ceticismo. Desgosto. Às vezes ainda, por exigir tanto de si mesmo e dos outros, deixa de perceber que a felicidade está bem ali, ao lado, sendo oferecida, mas pensa demais, analisa demais, perde tempo julgando as possibilidades, os limites. Precisa da longa viagem ao Egito para perceber que o tesouro está ali, na Andaluzia, aos seus pés. Não que seja interessante jogar-se indiscriminadamente às emoções que sentimos, pelo contrário. A razão é sempre aquela que impede nossa alma de alçar vôos maiores do que ela pode suportar. Mas como é comum a gente não se permitir ser feliz por medo de repetir velhos erros, ou achar que histórias perfeitas não existem. Está certo, elas não existem mesmo, mas quando a gente quer, podemos chegar muito próximo do final feliz que idealizamos, ou que nos emociona no final da sessão do cinema.

Eu, pelo menos, espero nunca perder essa convicção.
Não quero acreditar que a vida nos torna mais duros, menos exigentes. Nos torna mais flexíveis, mas isso não precisa ser sinônimo de menos sonhadores. No final das contas, vale a frase feita:

"As pessoas que vencem neste mundo, são as que procuram as circunstâncias de que precisam e quando não as encontram, as criam".


Difícil? Bem mais fácil do que transformar metal em ouro como queriam os antigos alquimistas
...

18 de maio de 2009

Uma questão de fé?


Semana passada assisti os últimos capítulos da quinta temporada de LOST. Já escrevi aqui no blog antes sobre o seriado, mais precisamente sobre o personagem Jack Shephard. Meu amigo Ricardo do blog Artigolândia também já publicou material sobre a série recentemente. Bom, hoje vou usar o seriado para falar um pouco sobre fé.

Os observadores mais atentos do seriado já devem ter percebido que o enredo da trama é permeado o tempo todo pela dicotomia entre fé X ciência, confiança nas pessoas X racionalidade de ações. Não por acaso, muitos dos nomes dos personagens fazem referência a grandes cientistas e pensadores (Faraday, Locke, Bakunin, Hume, Rousseau...), fora diversas analogias bíblicas (e a figura de "Jacob"). Ao longo das cinco temporadas, os “lostmaníacos” têm a oportunidade de acompanhar não só um seriado de suspense, mas também uma grande reflexão de como devemos nos comportar ante ao desconhecido. Os personagens estão sendo testados o tempo todo, tendo que tomar decisões baseadas na fé em algo que eles a princípio não compreendem, ou em um ceticismo pressupostamente “racional”. Além disso, percebem que cada decisão que tomam afeta não somente a eles próprios, mas a todos que estão a sua volta. Tal qual os flashbacks de atitudes passadas dos personagens revelam como a personalidade deles foi moldada até aquele momento.

Nessa quinta temporada, acho que a questão da fé como elemento de decisão do ser humano foi levada ao seu extremo de reflexão. Até onde a fé deve nos guiar? Será que a fé nas pessoas nos conduz à salvação ou à ruína? O que acontece quando nossas convicções na realidade estão nos cegando para a verdade? Realmente há um “propósito” em tudo que fazemos? Existe destino? Ele pode ser mudado? Isso é LOST...


(P.S. Para não ficar apenas no clima filosófico, aproveito para falar que LOST também tem seu lado de reflexão sobre as relações humanas. Eu acho brilhante a forma que os roteiristas da série conseguem conduzir questões como o coração partido do Jack, que está disposto a alterar o passado para não sofrer de amor no futuro, ou pelo contrário a vontade de Kate de não perder tudo o que viveu ali na ilha. Juliet perceber que “você amar e ser amado não significa que vocês vão ser felizes juntos”; O quadrado amoroso Jack-Kate-Sawyer- Juliet, com todas suas nuances, ao mesmo tempo que irrita, emociona... e faz pensar.)


(P.S. 2: para quem acompanha a série: ainda que Sawyer tenha sido o principal personagem dessa quinta temporada, eu continuo fã do Jack, apesar de todas as burradas que ele fez...)

12 de maio de 2009

Saudade não dói


Hoje decidi escrever sobre saudade. É, essa saudade que ao mesmo tempo em que deixa triste por ver tudo aquilo que já passou e não volta mais, ao mesmo tempo prova o quão boas são as nossas lembranças, e a nossa vida em si, a ponto de deixar marcas em nosso coração. Acho que quem teve uma vida ruim tem pouca coisa para sentir saudade. E quem sente muita saudade, sente de coisas que valeram a pena, ou de uma vida cheia de lembranças boas para recordar. Pois esses dias me bateu uma saudade... Eu também sinto saudade, sabe? Não aquela saudade deprimente, mas aquela alegria nostálgica de tudo de bom que vi e vivi.

Saudade de sentar com Cristóvão e Tiago e discutir a beleza e a insensatez do mundo; saudade do Cristóvão e do Tiago, simplesmente; Saudade de ouvir a voz fininha da Aline dizendo “Ave, Maria...”; saudade de ouvir os risos da Dani, Angel e Lu juntos; De passar o fim de semana com elas. De correr no gasômetro com o Jack. Saudades do NORIE quando viajo para dar aula, mesmo sabendo que dois dias depois eu estou de volta. De tomar café com a Fernanda e o Daniel (resmungando) no Armazém da Esquina; saudade da infância quando comia aquele sorvete Eskibon que vinha numa caixinha de papelão (que velhooo). De quando podia ficar sentado na frente da Escola de Engenharia jogando conversa fora com o Fernando, Gustavo, Ricardo, Eduardo... saudade do meu irmão implicando que meu quarto é uma bagunça ( e é mesmo); saudades de Fortaleza!!! Saudades da minha prima Carol e de passar o carnaval na beira da praia com ela em Floripa. Saudades de dançar forró com a Valéria na festa de São João do NORIE; saudades de comer um founde de chocolate à luz da Lua, no meio da rua em pleno inverno, na praia de Xangri-lá; ou em Gramado, na frente de uma lareira. Saudade de andar de bicicleta embaixo do Sol. Saudade de jogar futebol uma vez por semana (eu vou reorganizar, calma pessoal!!!); Saudade de mandar flores. Saudades do perfume dos cabelos da Juliana entrando na sala de aula, no colégio. Aliás, saudades do colégio e do Grêmio Estudantil. Saudades de conversar horas e horas com a Angela sobre a vida. Saudade dos jantares nordestinos para 25 pessoas dentro do apto de 60 m² da meninas. Saudades da minha avó. Ou de ficar vendo fotografias com a Vó Gladys.

Saudade de tudo de bom que eu vivi. Saudade, enfim, de tudo de bom que estou vivendo hoje e, um dia, vai virar lembrança. Boas lembranças. Como essas que eu citei agora.
De tudo que foi, de tudo que é, e de tudo que vai ser.

4 de maio de 2009

Como peças de um quebra-cabeça

Sábado à noite estava em uma roda de amigos quando conversávamos sobre o tipo de personalidade que um engenheiro desenvolve durante a faculdade. Bom, não é bem sobre isso que quero discutir hoje, talvez em uma próxima oportunidade. Meu texto hoje começa a partir da minha resposta – que eu não era um bom parâmetro de perfil de engenheiro, pois “sempre fui um engenheiro que gostava mais das palavras do que dos números”. Naquele exato instante percebi que tinha falado uma frase que me definia muito bem. Não por acaso, acabei entrando na vida acadêmica e trabalhando com tecnologia de materiais ao invés de cálculo estrutural, por exemplo. Aquele momento foi suficiente para inspirar o assunto do qual escrevo agora: como frases e situações marcam nossas vidas e moldam nossas personalidades?

Certa feita, vi uma entrevista no programa do Jô onde um filósofo (Mário Sérgio Cortella) disse: “Não nascemos prontos e vamos nos desgastando, nascemos não-prontos e vamos nos formando ao longo da vida”. Acho que a maioria das pessoas não percebe, mas nossa personalidade vai sendo formada gradativamente com os anos, porém com alguns sobressaltos, momentos emblemáticos que nos marcam de tal forma, que não somos mais a mesma pessoa depois do que vimos ou vivemos. Esse processo é mais evidente na infância/adolescência, mas acredito firmemente que ele permeia toda nossa vida.

Sobre momentos emblemáticos, eu tenho os meus. Aliás, eles nunca param de, surpreendentemente, aparecer em minha vida. Tentei lembrar de algumas dessas situações-chave para publicar aqui. Confesso que foi bem fácil. 
Algo que lembro sempre foram os dois livros que minha mãe me deu de presente assim que aprendi a ler: o primeiro, “Boas maneiras”, era um livrinho ilustrado bem bobinho, mas que ensinava coisas básicas como dizer muito obrigado, ceder lugar aos mais velhos, saber escutar com atenção quem fala conosco, abrir a porta para alguém. Eu li aquilo com tanto cuidado que tenho certeza que foi algo que, inconscientemente,  passou a fazer parte da educação e cuidado que tento ter, como adulto, até hoje com as pessoas. O segundo livro foi o famoso “O menino maluquinho”, do Ziraldo (que depois de ler eu rabisquei e pintei todinho). Me marcou o final do livro que dizia mais ou menos assim: “E aí o tempo passou. E, como todo mundo, o menino maluquinho cresceu. Cresceu e virou um cara legal! Aliás, virou o cara mais legal do mundo! Mas, um cara legal mesmo! E foi aí que todo mundo descobriu que ele não tinha sido um menino maluquinho, ele tinha sido era um menino FELIZ!”. E eu, aos 8 ou 9 anos de idade, li aquilo e determinei que eu tentaria ser um cara legal também. 

Eu fui lembrar-me dessa passagem do livro anos mais tarde, aos 17 anos, quando na formatura do colégio ouvi minha professora de química dizer: “Se posso deixar uma mensagem para vocês, que seja essa: tudo que vocês vierem a fazer no futuro, como Homens, como profissionais, o façam com paixão!!”. Acreditem, lembro dessas palavras até hoje. E até hoje tento colocá-las em prática em tudo na minha vida. Viver a vida com paixão, e deixar que minha paixão pela vida se reflita na vida das pessoas à minha volta. Difícil, mas extremamente compensador, na maioria das vezes.

Haveria tantos outros momentos que marcaram, mas com certeza não caberiam aqui. Momentos de amor, de decepção, de alegria. De reflexão ou confirmação da minha fé em Deus e nos homens. Os momentos emblemáticos que fazem de mim o que eu sou, e não outra pessoa. Adoro conversar sobre isso. Quem sabe em uma próxima roda de conversa com os amigos?

Como peças de um quebra-cabeça, na vida tudo acaba se encaixando...

15 de abril de 2009

Visceral


Uma coisa que eu já notei ao longo desses 18, 19 meses em que eu escrevo em blogs é a forma como as pessoas reagem a determinados textos. Na maior parte das vezes, os leitores se impressionam mais com posts onde abordo pensamentos meus, ou ideias sobre o comportamento humano. Acho que porque pondero e falo aquilo que muitos pensam ou gostariam de dizer, mas nem sempre encontram palavras ou a coragem para se expor assim, tão abertamente. Falar o que sentimos ou guardamos dentro de nós para outras pessoas não é uma tarefa fácil, exige respeito com as nossas verdades (que nem sempre são absolutas), sabedoria para saber usar as palavras certas, na hora certa, prudência para não causar mágoas e principalmente determinação para saber arcar com as conseqüências. Sim, porque se pensamos e agimos de determinada forma, temos que saber assumir essas nossas posturas perante os outros.

Longe de eu ser pretensioso em achar que posso ter todo esse discernimento para agir ou usar as palavras, pelo contrário. Tenho qualidades e defeitos como qualquer um, mas não tenho medo de assumi-los e com isso tentar me tornar uma pessoa melhor, comigo mesmo e com as pessoas que eu amo. Ainda assim, falo, falo, falo... e escrevo. Como eu gosto de escrever o que sinto e vejo nesse mundo!!! Escrevo porque corre em mim essa vontade imensa de me transbordar através das palavras. Não quero me limitar ao prático, ao conveniente. Facilitaria meu convívio com as pessoas, mas não seria eu, Daniel. Porque sou assim, intenso, visceral, apaixonado, passional que deixo aqui registrado as coisas que vocês leem. Porque assim é a vida também. Intensa. Basta a gente não ter medo de assumir o que pensamos, o que fazemos, o que desejamos, o que nos incomoda ou nos alegra.

10 de abril de 2009

Posers!!!


Eu sou muito eclético para música. Não é raro o cd/mp3 do meu carro tocar rock, MPB, forró, house music ou pop do momento que aparece por aí. Eu gosto de música boa, não importa a origem ou público-alvo. Agora, no topo das minhas preferências está, sem dúvida, o hard rock dos anos 80/90. Fui tomar maior contato com o estilo no final dos anos 90, quando a internet e a MTV facilitaram tudo para os fãs. Antes, era difícil você conhecer tudo de bom que tocava pelo mundo afora. A maioria das pessoas ficava restrita ao que era sucesso comercial nos rádios. Hoje me dia, está tudo mais fácil graças também ao Youtube ou aos programas de download.

Mas não vou comentar sobre o estilo musical em si, algo que me faria discursar horas e horas a respeito - os anos 80 foram muito prodigiosos em termos de música, seja nos EUA (onde existe uma idéia errada de “década perdida do rock”), seja aqui no Brasil. O que quero comentar nesse post é sobre o estilo das bandas da época. Criticar cultura, estilo ou costumes de uma época passada é um pouco falacioso. Isso porque tentamos entender o comportamento das pessoas na época com a nossa cabeça de hoje, com toda a cultura e contracultura posterior que vivenciamos e compartilhamos. Por isso, acho engraçado quando as pessoas ficam abismadas com o verdadeiro freak show que algumas bandas proporcionavam em termos visuais. Sim, eram ridículas na maioria das vezes, mas não tão ridículas dentro da proposta dos anos 80 – uma década muito divertida, disseram os autores do almanaque dos anos 80, e eu concordo.

Os anos 70 tinham acabado, o movimento hippie idem e o punk rock não queria a luz dos holofotes. O new wave e o pós-punk ocuparam espaços importantes e definitivos, mas faltava uma tribo que se encarregasse de aproveitar o surgimento da MTV e o apelo visual que ela impunha, através dos videoclipes. Se pelo lado do pop Madonna e Michael Jackson elevaram esse conceito ao seu patamar máximo, pelo lado do rock, foram bandas como Bon Jovi, Van Halen e Motley Crue que surgiram e trocaram o visual psicodélico e/ou pessimista dos anos 70 por outro mais despojado e um clima de “a vida é uma eterna festa”. Dado o passo inicial, as bandas começaram a exagerar na maquiagem, nas roupas, nas performances acrobáticas, uma passou copiar a outra. Foi então que o estilo passou a ser chamado, depreciativamente, de “hair metal” e os integrantes das bandas de “posers”.

Tudo parecia uma espiral sem fim quando, no início da década de 90, o grunge e o Nirvana surgiram e provaram que rock & rebeldia podiam ser boa música e mais nada. Era o fim dos cabelões armados e das roupas coloridas. O estilo do hard rock dos anos 80/90 ficou estigmatizado por esse apelo visual, mas para fãs como eu, a sonoridade das bandas, os riffs marcantes de guitarra e as baladas românticas sempre foram mais importantes – e são até hoje.

Para quem quiser dar uma olhada em alguns clipes da época, clique nos links abaixo:

You Make Me (Rock Hard) - KISS (Eles também faziam clipes bregas nos anos 80)

I Wanna Rock - Twisted Sister (Esses eram campeões no uso de roupas e maquiagens bregas)

Girls, Girls, Girls - Motlëy Crue (Pura comédia: mulher, moto e roupa de couro, manooo)

You give love a bad name - Bon Jovi (Sim, o sexy simbol das menininhas nos anos 90 usava cabelão armado um tempo antes)

Nobody's Fool - Cinderella (A música nem é tão legal, mas vale para dar risada do clipe)