16 de julho de 2009

Homo homini, lupus est


Você já parou para pensar quanto do nosso discurso é teoria e quanto do nosso discurso é prática? Quais são os valores que achamos certos e quais valores conseguimos efetivamente colocar em prática no nosso dia a dia? Antes de você, após ler isso, iniciar um processo de auto-flagelação ou de condenação alheia, uma importante ressalva: essas reflexões não têm objetivo de condenar nossos comportamentos. São apenas uma forma de explicitar nossa condição humana em palavras. Vivemos um eterno conflito interior entre o que achamos que são atitudes que devemos ter e esperar das outras pessoas, e as que acabamos realizando ou aceitando, convenientemente, por diferentes razões. Por vergonha de uma reação questionadora, por amizade, por medo de reprovação ou da solidão, fazemos vista grossa, relativizamos cláusulas éticas antes pétreas nas nossas vidas. Buscar a felicidade é uma condição instintiva do ser humano, mas os percalços que insistem em atravessar a nossa frente e nos porem à prova por vezes são cruéis. Exigem tomadas de posição que nem sempre podemos ter. E nos forçam a, muitas vezes, dissimular. Até que ponto isso é aceitável? Aliás, isso é aceitável? Será que o politicamente correto às vezes não invade excessivamente nossa vida? Ou será o contrário, deixamos o correto de lado para nos favorecer quando necessário? Será que é errado querer que as pessoas tomem posição ou partido das coisas nas suas vidas, mesmo quando os momentos não são tão favoráveis? Ou será que a vida em sociedade seria um inferno se cada um não abstraísse um pouco certas coisas às vezes? Sim, hoje estou filosófico demais, nem sei se eu me entendo aqui...

Afinal, não é o mesmo cidadão que omite dados no imposto de renda (“afinal, todo mundo faz isso, por que eu vou ser o único bobo a não fazer?”) que depois reclama da esperteza dos políticos que desviam dinheiro público? Não é apenas uma diferença de escala entre um e outro? E quando você critica a violência e a impunidade, agiria igual se fosse seu filho que estivesse dirigindo bêbado e fosse acusado de causar um acidente? (“Ele é um menino bom, estudioso, de família... não pode ter a vida estragada só porque cometeu um deslize momentâneo”). Essa relativização ao mesmo tempo em que nos salva, nos condena. Será que em cada momento que fraquejamos, em que temos medo do desconhecido, não matamos um pouquinho de nós mesmos dentro da gente? Se, ao contrário, mantemos nossas convicções inabaláveis, não serão elas que talvez (justamente) nos alavanquem no caminho da felicidade? Ou será que realmente existe a questão da escala?

Juro para vocês que não tenho a mínima idéia do que quis escrevendo isso, mas veio a minha mente essa história, e achei interessante publicar.

O homem é lobo do homem. Pior que isso, às vezes nós somos lobos de nós mesmos.

8 comentários:

iza disse...

s pessoas passam tempo demais.. complicando tudo.. realmente a vida é simples.. facil .. e sabemos extamente aonde queremos chegar.. o problema eh que.. complicamos e a sociedade nos corrompe..
estava no café e um americano sentou-se a mesa.. conversou e disse.. " só temos uma unica vida.. pq n aproveita-la..
seu texto foi perfeito

Rico da Artigolândia disse...

Muito bom!!!

Um dos melhores que já fizeste!

O maior desafio é conhecer a si próprio. Assim como resolver nosso problema é mais difícil do que o do vizinho, assim como...

bruno ce disse...

"estava no café e um americano sentou-se a mesa"... amor, se eu pego um americano sentado na tua mesa, eu matava!!!
rum!.. cearense macho da teoria a pratica!.. hahaha

Francieli disse...

Daniel... vc não sabe o quanto me questiono sobre isso. Adorei o seu post!
Queria fazer menos 'coisas erradas', para me sentir mais no direito de cobrar os nossos governantes, por exemplo... mas vivo relativizando (risos).

Cari disse...

Como de costume postaste um assunto que meche com as pessoas e faz pensar muito.
Acredito que convivemos com situações "forçadas" todos os dias, onde, muitas vezes, pessoas fingem ser algo que não são por conveniência e status.
Em minha opinião, tudo é uma questão de personalidade, ou você se impõe à sociedade ou ela irá se impor à você.
Parabéns pelo post meu lindo.
Bjos

Fernando Mynarski e Paula Benedet disse...

lá vem ele com as frases em latim... hehehe lembro de algumas:
Non scholae sed vitae dissimus.
Ad astra per aspera.
Mas essa desse título, confesso que não lembrava.

Amanda disse...

Acho que nem sempre mudar de opinião é "virar a casaca", mudar as vezes é amadurecer e ver que o mundo não é maniqueísta, bom ou mal, preto ou branco.

Nossa interação com outras pessoas, nos fazem repensar valores, compreender o outro, refazer relações causais. Acho que quando li Weber (o que recomendo) fui muito influenciada pelo conceito de compreensão empática na sociologia, trouxe para tudo na vida.

O problema é querer um mundo e não ser coerente com que se almeja, é esperar do conjunto o que nos próprios não fazemos. Enfim, ainda tento ser a mudança que quero pro mundo...

O que não se pode negar que o Brasil as regras são sempre flexibilizadas pela cultura do "esperto", que é esperto nem sempre é quem é justo e digno.

Daniel, tava com saudades dos textos mais introspectivos ;)

Amanda disse...

Agora fiquei achando que a citação ficou meio esnobe, mas não era a intenção :)