4 de maio de 2009

Como peças de um quebra-cabeça

Sábado à noite estava em uma roda de amigos quando conversávamos sobre o tipo de personalidade que um engenheiro desenvolve durante a faculdade. Bom, não é bem sobre isso que quero discutir hoje, talvez em uma próxima oportunidade. Meu texto hoje começa a partir da minha resposta – que eu não era um bom parâmetro de perfil de engenheiro, pois “sempre fui um engenheiro que gostava mais das palavras do que dos números”. Naquele exato instante percebi que tinha falado uma frase que me definia muito bem. Não por acaso, acabei entrando na vida acadêmica e trabalhando com tecnologia de materiais ao invés de cálculo estrutural, por exemplo. Aquele momento foi suficiente para inspirar o assunto do qual escrevo agora: como frases e situações marcam nossas vidas e moldam nossas personalidades?

Certa feita, vi uma entrevista no programa do Jô onde um filósofo (Mário Sérgio Cortella) disse: “Não nascemos prontos e vamos nos desgastando, nascemos não-prontos e vamos nos formando ao longo da vida”. Acho que a maioria das pessoas não percebe, mas nossa personalidade vai sendo formada gradativamente com os anos, porém com alguns sobressaltos, momentos emblemáticos que nos marcam de tal forma, que não somos mais a mesma pessoa depois do que vimos ou vivemos. Esse processo é mais evidente na infância/adolescência, mas acredito firmemente que ele permeia toda nossa vida.

Sobre momentos emblemáticos, eu tenho os meus. Aliás, eles nunca param de, surpreendentemente, aparecer em minha vida. Tentei lembrar de algumas dessas situações-chave para publicar aqui. Confesso que foi bem fácil. 
Algo que lembro sempre foram os dois livros que minha mãe me deu de presente assim que aprendi a ler: o primeiro, “Boas maneiras”, era um livrinho ilustrado bem bobinho, mas que ensinava coisas básicas como dizer muito obrigado, ceder lugar aos mais velhos, saber escutar com atenção quem fala conosco, abrir a porta para alguém. Eu li aquilo com tanto cuidado que tenho certeza que foi algo que, inconscientemente,  passou a fazer parte da educação e cuidado que tento ter, como adulto, até hoje com as pessoas. O segundo livro foi o famoso “O menino maluquinho”, do Ziraldo (que depois de ler eu rabisquei e pintei todinho). Me marcou o final do livro que dizia mais ou menos assim: “E aí o tempo passou. E, como todo mundo, o menino maluquinho cresceu. Cresceu e virou um cara legal! Aliás, virou o cara mais legal do mundo! Mas, um cara legal mesmo! E foi aí que todo mundo descobriu que ele não tinha sido um menino maluquinho, ele tinha sido era um menino FELIZ!”. E eu, aos 8 ou 9 anos de idade, li aquilo e determinei que eu tentaria ser um cara legal também. 

Eu fui lembrar-me dessa passagem do livro anos mais tarde, aos 17 anos, quando na formatura do colégio ouvi minha professora de química dizer: “Se posso deixar uma mensagem para vocês, que seja essa: tudo que vocês vierem a fazer no futuro, como Homens, como profissionais, o façam com paixão!!”. Acreditem, lembro dessas palavras até hoje. E até hoje tento colocá-las em prática em tudo na minha vida. Viver a vida com paixão, e deixar que minha paixão pela vida se reflita na vida das pessoas à minha volta. Difícil, mas extremamente compensador, na maioria das vezes.

Haveria tantos outros momentos que marcaram, mas com certeza não caberiam aqui. Momentos de amor, de decepção, de alegria. De reflexão ou confirmação da minha fé em Deus e nos homens. Os momentos emblemáticos que fazem de mim o que eu sou, e não outra pessoa. Adoro conversar sobre isso. Quem sabe em uma próxima roda de conversa com os amigos?

Como peças de um quebra-cabeça, na vida tudo acaba se encaixando...

7 comentários:

Fernanda disse...

Gostei do post, Daniel. Eh sempre bom ler teus pensamentos. Fiquei imaginando escutar vc falar isso pessoalmente para nos, em algum bar da Republica ou na Redencao. Quanto as pecas de um quebra-cabeca, tb sinto a mesma coisa. Digamos que nao sou a tipica arquiteta! :-) Beijos e saudades, Fernandinha Leite

Gustavo disse...

Muito bom. Tu anda inspirado ultimamente, hein?

Rico da Artigolândia disse...

Pega aí magrão! A síntese!


"Eu não me envergonho de corrigir meus erros e mudar as minhas opiniões,
porque não me envergonho de raciocinar e aprender"
A.H.

Daniel disse...

hahaha, perfeito Ricardo!!!

Fernando Mynarski disse...

Nunca comentei nenhum artigo, então dispensa-se qualquer gafe...
De qquer maneira penso ser muito lógico e clara as idéias do Daniel. Tão claras quanto, por exemplo, livros como A Revolução dos Bichos, Admirável Mundo Novo e 1984.

Clari... disse...

Eu também tive vários livros e trechos marcantes: sidarta, a insustentável leveza do ser, a hora da estrela...

ah, seu link tá no meu blog tb! ;)

maria só disse...

Vi o seu blog hoje, pela primeira vez e...gostei! É refrescante saber que há jovens que pensam, e pensam bem!
Vou te seguir

tenho um blog inde conto a minhas memórias, só sei falar do que conheço...vá vistar-me
Saudações de uma "velhinha" portguesa!