21 de março de 2009

Sinal dos tempos?

Diferente da maioria da população brasileira, eu sempre me interessei muito por política. Acho engraçadas as pessoas que dizem que não estão nem aí para política, para os políticos, etc. Ainda que estes últimos nos encham de motivos de descrença, como ignorar algo que é responsável pelo funcionamento de tudo que está à nossa volta? Estradas, hospitais, educação, saneamento, segurança, tudo depende das políticas públicas do Estado que as pessoas ignoram!!! Não parece um contra-senso? Além do mais, “política” é algo que construímos dia-a-dia em todas as nossas relações humanas. Portanto cuidado quando escuta alguém dizer que “ignora” completamente qualquer coisa relativa ao assunto.
Feita essa breve introdução, este texto foi motivado por uma foto e reportagem que vi, se não me engano, dias atrás no site do jornalista Paulo Henrique Amorim. Mostrava uma foto dos presidentes Lula e Obama. Talvez poucas pessoas notem como é emblemática essa foto. São dois presidentes de duas importantes nações do cenário geopolítico mundial. Um afro-descendente com sobrenome muçulmano e um ex-operário. Há dez, vinte anos atrás, seria possível imaginar essa situação? Certamente que não.
Esse sinal de “novos tempos” nas políticas brasileira e norte-americana fica ainda mais evidente se compararmos encontros de presidentes dos dois países em tempos passados. Fazendo uma rápida pesquisa no Google Imagens, pude encontrar alguns desses registros.

Na primeira foto (A), Harry Truman, ex-fazendeiro e ex-presidente dos EUA que autorizou o lançamento da bomba atômica em Hiroshima, e que implementou o macartismo, na foto junto de Eurico Gaspar Dutra, ex-marechal do exército e ex-presidente do Brasil; Em (B), Geoge Bush pai, grande empresário e presidente mentor da Guerra do Kuwait ao lado de Fernando Collor de Mello, também empresário e o jovem, bonito e promissor político que venceu o “sapo babudo” para depois sofrer impeachment. Na foto (C), Ronald Reagan, ex-ator de western hollywoodiano, e o “imortal” José Sarney, ex-presidente e hoje um dos homens fortes do “exemplar” Senado brasileiro. Por fim, FHC e Bill Clinton, este advogado, aquele sociólogo. Clinton e Fernando Henrique foram considerados bons presidentes pela maioria dos eleitores, mas coincidentemente ambos não conseguiram eleger seus sucessores. Além disso, eram figuras claramente identificadas com uma parcela muito aristocrática da sociedade. Clinton foi governador por 5 mandatos do conservador estado sulista do Arkansas. FHC, por sua vez, desfruta até hoje de prestígio de setores muito bem definidos da elite político-econômica paulistana.
Obama e Lula têm origens diferentes e distintas, mas ainda sim impactantes. O atual presidente dos EUA é filho de um economista negro queniano e uma antropóloga americana branca. Embora não seja diretamente descendente de escravos, sua esposa é, e ele leva consigo essa imagem-símbolo. Lula, sim, tem uma origem humilde, bem conhecida de todos, e foi eleito, também, muito em cima dessa história pessoal.
Obama. Lula. Mulheres assumindo o poder (como na Argentina), a China se abrindo para a economia de mercado. Novos ares nessa nossa grande aldeia global? Mudanças de visão? Não em todo, bem sabemos (Irã, Israel, Rússia...), mas uma boa amostra está aí, para quem quiser ver. O mundo mudou muito após a queda do muro de Berlim, da revolução da tecnologia de informação. São as gerações X e Y assumindo o leme da história, no lugar das gerações baby boomers filhas da guerra fria pós-45.

15 de março de 2009

A vida com trilha sonora

Quinta-feira passada estava voltando de viagem à noite, de Caxias à Porto Alegre. Uma lua cheia no horizonte, o céu limpo, faróis contra o meu rosto e... música no cd do carro!! Sim, as músicas têm sido minhas companheiras de viagem, nesses novos dias de professor-engenheiro-pesquisador itinerante. Nessa última viagem, vim pensando nesse texto para o blog. Como nossa vida tem trilhas sonoras em momentos muito distintos e particulares, que acabam justamente não nos fazendo esquecê-los. Duvido que quem esteja lendo esse texto não tenha uma música que tenha embalado um momento da sua vida. Às vezes, aquela música que você não ouve há anoooos toca no rádio e punft!!! A lembrança vem à mente.
Viver a vida com trilha sonora é muito mais divertido. Faz-nos mais alegres, por vezes um pouco tristes, mas sempre, sempre intensos! Algumas pessoas acham que viver a vida com intensidade é apenas quebrar regras, correr riscos. Mas a vida também é intensa pelo colorido que damos aos nossos relacionamentos, e à sonoridade que atribuímos aos momentos marcantes da nossa passagem por esse mundão de Deus.
Engraçado que a letra da música nem sempre guarda similaridade com a situação vivida, pode ser simplesmente o som que você ouvia quando algo aconteceu. Outras vezes a letra diz tudo por você.
Aqui embaixo coloco alguns vídeos de músicas que me trazem lembranças, das mais variadas. O que cada uma lembra, ora, isso é comigo. Assim como você guarda aquela música que lembra seu primeiro beijo, a vez que você fugiu de casa quando criança, a viagem com a turma do colégio para a praia, a dor de cotovelo, a alegria de dias que ficaram no passado ou animam seu presente.







14 de março de 2009

Estatísticas do Blog pelo Google Analytics

Instalei aqui no blog uma ferramenta interessante que o Google disponibiliza. É o Google Analytics. Ele permite que blogueiros e webmasters tenham condições de visualizar o perfil dos visitantes dos blogs e sites. O Analytics é capaz de identificar a localização geográfica do visitante, forma com a qual chegou na página (através de outros sites, buscadores como o próprio google ou diretamente pelo endereço), além de fazer análises de quantos visitantes novos ou antigos leram o blog, qual a taxa de retorno de visitantes, quanto tempo perdem lendo os textos, etc. Uma grande idéia. E relativamente simples de adicionar, através do editor de html.

Aqui vai uma visão de alguns recursos do Analytics.



Algumas estatísticas deste blog até o dia de hoje:

255 visitas ao blog
109 visitantes diferentes
413 visualizações de páginas ou textos lidos
Taxa de retorno de visitas de 74,5%
42% do total são novos visitantes
Dia 16/02/2009 foi o dia com maior número de visitantes, 60 no total.
207 visitas vindas do Brasil, sendo a maioria (171) de Porto Alegre, seguidas por São Paulo (6) e Belém (4).

16 de fevereiro de 2009

A velha história

Originalmente publicado em 17/12/2008
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Olá pessoal. Ando sem tempo. Velha desculpa. "Ter tempo é uma questão de preferência", diria a minha mãe. Nem sempre, nem sempre... Até o tradicional e-mail de fim de ano que mando para as pessoas não consegui fazer. Decidi fazer isso hoje. Aí, fiquei pensando no que escrever. Fim de ano é época de reflexões, de balanços, novas proposições, novas expectativas. Por isso eu tento sempre passar uma mensagem que , de alguma forma, traga algum significado às pessoas. Aí lembrei de um texto da Martha Medeiros, chamado "Sentido da Vida", que transcrevo em parte aqui:

"Não é nenhuma novidade que dinheiro, viagens, status, beleza e outras coisinhas mundanas são sonhos de consumo de muita gente, mas não dão sentido à vida de ninguém. A única coisa que justifica nossa existência são as relações que a gente constrói. (...) Para amar, resumindo. Piegas? Depende de como a história é contada. (...)
Só quem nos conhece a fundo pode compreender o que nos revira por dentro, qual foi o trajeto percorrido para chegarmos neste exato ponto em que estamos, neste estágio de assombro ou alegria ou desespero ou seja lá em que pé estão as coisas pra você. Se não nos decifraram, se não permitimos que aplicassem um raio x na gente, então não existimos, o sentido da vida foi nenhum.
Todas as pessoas querem deixar alguns vestígios para a posteridade. Deixar alguma marca. É a velha história do livro, do filho e da árvore, o trio que supostamente nos imortaliza. Filhos somem no mundo, árvores são cortadas, livros mofam em sebos. A única coisa que nos imortaliza - mesmo - é a memória de quem amou a gente."

É por isso que trago na memória, cada pessoa e cada pequeno momento que marcaram minha vida. Cada sorriso sincero, cada choro contido ou não, a mão suada, o coração que bateu mais forte. O beijo tácito ou cálido. O amor da família, o amor dos amigos, o amor de Deus em cada pequena lembrança, menor que seja, mas que por ser lembrança é grande, é imensuravelmente significativa em minha vida. Que as memórias de vocês também sejam assim. UM FELIZ NATAL E UM ÓTIMO 2009!!!

Discurso Indutivista

Originalmente publicado em 10/12/2008
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Hoje decidi escrever um texto mais “nerd” (:PPP), mas acho interessante para demonstrar como encaro determinadas coisas que vejo por aí... Quando estudamos e trabalhamos na pós-graduação, aprendemos a ter atenção com o modo como organizamos nossas idéias no papel ou em uma apresentação. Fazemos isso, pois muitas vezes idéias e pensamentos corretos, colocados de maneira errada, têm seu sentido distorcido. Às vezes isso é feito, incrivelmente, de maneira deliberada. É o que chamamos de discurso indutivista, ou indutivismo ingênuo. Não sei se vou ser bom para explicar, mas funciona mais ou menos assim: Alguém pega duas afirmações verdadeiras ou cheias de conteúdo para generalizar, insinuar coisas ou gerar uma terceira informação errada, mas que parece verdadeira. Por exemplo:

- Mulheres usam cabelo comprido;
- Isabel é mulher;
- Logo, Isabel tem cabelo comprido.

- O pai quer a filha no caminho correto.
- Eu ando no caminho correto.
- Logo, o pai quer a filha andando comigo.

Mesmo considerando que primeiras afirmações de cada exemplo sejam verdadeiras e irrefutáveis, a terceira pode não sê-la, apesar da aparente lógica. Isabel pode não ter cabelos compridos; a filha pode andar no caminho correto e ainda assim não necessitar de uma companhia específica.
Assim, muitas pessoas acabam usando este recurso para, a partir de preceitos verdadeiros, sejam eles de senso comum, religiosos ou científicos, gerar outros conceitos implícitos que lhes favoreçam especificamente, sem que os mesmos tenham relação direta com a realidade das coisas.

Outro aspecto que como acadêmicos aprendemos a desconstituir é a distorção do que estudiosos um dia chamaram de “discurso competente”. Conceitualmente, “O discurso competente é um discurso instituído. É aquele no qual a linguagem sofre uma restrição que poderia ser assim resumida: ‘não é qualquer um que pode dizer a qualquer outro qualquer coisa em qualquer lugar e em qualquer circunstância’”. Esse tipo de discurso acaba se confundindo com uma linguagem “autorizada”, no sentido do interlocutor se considerar previamente reconhecido como o indivíduo com maior capacidade para emitir conceitos e opiniões, devidos justamente a seu suposto maior “discernimento”. Em outras palavras, é uma maneira bonita de esconder uma convicção preconceituosa do tipo “Desculpe, mas eu tenho mais entendimento para falar sobre isso do que você”. Lamentável.

Ce grand malheur, de ne pouvoir être Seul

Originalmente publicado em 08/12/2008
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Hoje eu resolvi contar alguns pensamentos bem pessoais do meu dia. Estão vendo a foto aí? Foi no churrasco de Natal da turma da pós-graduação. Todo ano eu acabo “organizando” esse evento. São sempre 30, 40 até 50 pessoas ávidas por carne, complementos, sobremesas. Eu sempre reclamo que é serviço demais, incomodação demais, mas a verdade é que eu fico com um orgulho contido quando vejo as pessoas satisfeitas com algo que, de certa forma, eu ajudei a proporcionar. Mesmo acordando cedo e retornando exausto em casa, vale a pena. E as pessoas, acho, percebem um pouco isso. Mas por outro lado talvez não percebam o sentimento de melancolia que se abate em mim, algumas vezes em eventos como esse. Pela proximidade do Natal, que sempre me deixa com um sentimento feliz e triste ao mesmo tempo, ou pelo fato de que no fim do ano as pessoas viajam de volta para suas casas, ou por me chatear com situações específicas que não deveriam me afetar, mas afetam...sei lá.
Hoje em um determinado momento, depois de mais de 20 Kg de carnes, saladas, legumes recheados, eu me vi sozinho ali, na frente da churrasqueira. Ao fundo, 40 pessoas satisfeitas, conversando. E eu percebi que não tinha a mínima idéia do que elas conversavam, riam. Estava ali, ao lado, mas também longe demais, ocupado demais. Aquele sentimento de certa forma tomou conta de mim de uma maneira não tão saudável. Poxa, eu sabia que eu sempre vou preferir estar ali, “gerenciando” tudo, mas uma parte de mim ficava triste em saber que não estaria na maioria das muitas fotos que as pessoas vão colocar no orkut depois; que não adiantava chegar e sentar em qualquer lugar, pois eu não teria a mínima idéia do que estava sendo conversado. Às vezes, um homem no meio de uma multidão pode estar incrivelmente só.
Engraçado que isso me fez fazer uma comparação com algo totalmente sem conexão aparente: a nossa secretária da pós-graduação, a Simone. Cara, das 24 horas do dia, se dormir 8 horas, ela tem apenas 4 horas livres, pois nas outras 12 horas restantes ela está ou trabalhando ou se deslocando para o trabalho. Ou seja, a maior parte da vida dela é vivida ali, naquela cadeira, se relacionando com as pessoas que estão ali, trabalhando e estudando. E como tem gente que não se dá conta disso!! Deve ser por isso que converso tanto com ela, pergunto coisas, conto histórias, ajudo quando preciso. Deve ser ruim conviver horas e horas, dias e dias com pessoas que nunca trocam mais do que duas ou três palavras com você. Que acham que, por essas coisas da vida, existem determinados momentos que certas relações precisam ser mais “protocolares”. E o coração da pessoa, como fica?
Bueno, quem me conhece bem pode até estranhar o tom deste post, mas foram apenas alguns sentimentos específicos que quis compartilhar. Eu acho divertido que eu escrevo essas coisas e depois fico aqui do outro lado do monitor lendo e dando risada: ah, Daniel, deixa de bobagem!!!

P.S. O título do Post é a epígrafe (escrita por La Bruyère) do texto “Homem na Multidão”, de Edgar Allan Poe.

Briga de polegar

Originalmente publicado em 24/11/2008
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Muitas pessoas me perguntam de onde tiro inspiração para os meus textos. Depende muito, às vezes são coisas que eu simplesmente sinto necessidade de falar, outras são histórias que vão sendo construídas a partir da realidade; outras, ainda, vêm a partir de uma música ou uma lembrança ou idéia que aparece do nada, no meio do trabalho, ou na cama antes de dormir. Aí eu levanto, pego caneta e papel e rascunho tópicos para escrever na frente do computador no dia seguinte.


Hoje eu resolvi escrever um texto a partir de um fato ocorrido com essa pessoinha aí da foto, a Lu. Uma amiga tão querida que me convenceu a dar aulas de direção para ela. Não que ela tenha precisado insistir muito, como vocês vão entender. Falo isso porque muita gente poderia pensar “que chato que deve ser ficar dando aula de direção” ou “ é muita paciência”. Acontece que eu acabo me divertindo!! De verdade!! E, acreditem, ver o sorriso de felicidade dela quando a “auto-escola” termina e ela sai do carro faz valer o meu dia. Ah, e uma nota importante: ela tem se saído muito bem até agora.

Bom, semana passada foi a terceira aula dela, e dessa vez com platéia (a Dani e a Angela nos acompanharam – ou, como diria a Lu “saí e tive aula com o DÃniel, mais a DÃni e a Piovesano”. A gente fez algumas manobras em uma área descampada e depois partimos para uns percursos em uma ruas residenciais na zona Sul de Porto Alegre, onde o tráfego é menor. No final, eu usei uma metáfora ( como sempre) para resumir o que tinha sido a aula. Eu lembrei de um filme (só não recordo o nome) onde um menino de 10 anos aprende a dançar sendo ensinado pela namorada do pai (acho que é a Melanie Griffith a atriz). Como ele não sabia dançar, a mulher faz ele aprender a partir de uma brincadeira infantil bem simples, aquele jogo de tentar segurar o polegar da outra pessoa com as mãos unidas (será que consegui explicar? Bom, tem a foto ali embaixo para explicar). Anyway, o caso é que, como no filme, aprender a dirigir em um descampado e depois dirigir no trânsito é como fazer “briga de polegar” e depois dançar de verdade. A gente ensaia do modo mais simples para depois fazer do modo mais avançado. E nisso eu fiquei pensando, depois...
É que, diferente do filme ou do treinamento com o carro, a vida é como uma grande peça de teatro que não permite ensaios – por isso às vezes os atores são tão ruins nas suas interpretações. Nós criamos nossa própria história e se ela não agrada a quem queremos, so sorry, não há oportunidade de voltar e refazer a cena. No máximo dar um novo destino aos personagens, a partir daquele ponto. É por essas e por outras que eu tento cuidar com tanto carinho dos coadjuvantes da história da qual sou protagonista, a história da minha própria vida! (Na foto, explicamos como funciona a "guerra de polegar", para quem não lembra da brincadeira)

15 de fevereiro de 2009

Do fundo do baú

Publicado originalmente em 18/11/2008
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Você considera fácil definir-se? Ou mesmo conseguir descrever um breve resumo de sua vida em poucas linhas? Eu tentei isso anos atrás, quando era um dos redatores de um blog que contava com a participação de mais ou menos 8 a 10 pessoas diferentes. Dias atrás, fui revirar alguns textos antigos que escrevi e dei de cara com esse que escrevi quatro anos atrás. Era para ser uma bem-humorada primeira aparição no blog, para me apresentar aos participantes que ainda não me conheciam tão bem. Era algo mais ou menos assim:


“Me pediram para ser um dos escritores deste blog... (...)

Bom, para começar, deixem que eu apresente um breve histórico. Nasci pelado, careca e sem dente; portanto, tudo que veio depois foi lucro (plagiando um amigo...);
Quando criança, odiava quando o Bozo comia aqueles picolés da Yopa (Prestigio, Laka, Lolo) que não tinham para vender aqui no sul. Espero até hoje o último capítulo de Caverna do Dragão. Perdia mais tempo construindo e montando prédios e quartéis-generais para os meus Comandos em Ação e os meus Playmobil do que brincando... (olha o engenheiro aparecendo desde cedo...)
Com 11 anos, enquanto todos pediam bicicletas de trilha de 18 marchas, câmbio chimano e tal, de presente, eu pedi uma Calói Barra Forte (aquela com banquinho adicional na frente, lembram?) Ganhei uma Monark barra circular e fui o inspirador da propaganda não esqueça minha calói...
Com 14, percebi que gostava de política (!?) e levei advertência séria no colégio junto com outro membro do diretório de estudantes por fazer todos os alunos pularem o portão da escola para participar de uma passeata do fora Collor... era a história do nosso País em curso e eu não deixei de fazer parte dela.
Com 15 fui para uma escola particular, aprendi latim, filosofia e história da arte. Adorei. Mas percebi que quanto mais abastados os meus colegas, mais idiotas.
Daí para adiante, comecei a crescer e perdi parte da ingenuidade que nos faz felizes na infância. Com 17 fui fazer Engenharia e descobri que nasci pra isso, trabalhar muito e ganhar pouco (brincadeira...)
Com 20 fui trabalhar em uma construtora onde percebi que nunca conseguirei ser patrão: não sou extremamente ganancioso, gosto de tratar todos como iguais e não costumo descontar minhas angústias ou mau-humor nos outros.
Com 22 decidi fazer mestrado mesmo sabendo que todo mundo acha que isso não é trabalho. Conheci grandes amigos e aprendi a dar valor a muitas coisas que a maioria não percebe.
Hoje, com 26, tenho amigos espalhados por todo o Brasil, trabalho com pesquisa em engenharia, vivo o presente de maneira simples e vejo o futuro além do limite dos meus sonhos. Amei, “desamei”, dei minhas cabeçadas na parede, cometi minha cota de erros, mas compensei procurando acertar mais. E percebi que – graças a Deus – não perdi toda a ingenuidade da infância como a maioria dos adultos chatos que somos.”
____

O que veio nesses quatro anos depois dos 26? Nossa, quando fui pensar nisso... Fiquei impressionado na quantidade de coisas que aconteceram!!!! Realizações, decepções, trabalho árduo, amores intensos, novas amizades, amizades que se consolidaram para toda a vida, novas perspectivas, e muitas, mas muitaaaas histórias que vou levar para sempre. Coisas que não caberiam aqui em um só texto. A minha vida, simplesmente. “Cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é”, já li certa vez, e está completamente certo.

Se eu tivesse que encerrar de forma parecida com o que escrevi 4 anos atrás, eu diria assim:

Hoje, com 30 anos, continuo com amigos espalhados pelo Brasil, estou terminando meu doutorado e pronto para alçar novos vôos (o céu é o limite). Afinal continuo vivendo o presente de maneira simples e vendo o futuro além do limite dos meus sonhos. Deus continua do meu lado e a criança dentro de mim, espero, nunca vai morrer.

Once upon a time

Originalmente publicado em 21/10/2008
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Este texto é uma obra de ficção. Não foi retirada de nenhuma revista água com açúcar, acreditem. Qualquer semelhança dos fatos aqui descritos com a vida real é mera coincidência. Tampouco os fatos aqui têm outras intenções que não as de contar uma bela história que podia ser realidade. Aliás, se fosse realidade, seria de fato uma bela história, por sinal...

Era uma vez uma princesa linda que havia deixado de sonhar. Por que motivo ela havia deixado de sonhar, não se sabe. Talvez ela tivesse sido involuntariamente convencida que precisava apagar a luz tão grande que possuía para seguir em frente com os sonhos que ela pensava estavam reservados para ela. Ou então tentaram fazê-la acreditar que certos sonhos não podem ser sonhados. A verdade é que ela havia parado de sonhar. Sonhar os sonhos lindos que pessoas como ela merecem ver tornar-se realidade.

Um dia, então, entre suspiros de resignação e melancolia, ela encontrou um cavaleiro sem graça, que falava sem parar e gesticulava como o típico guerreiro veneziano que era. A princesa nunca deixara nenhum cavaleiro estranho aproximar-se dela, mas, de alguma forma, aquele homem atrapalhado conquistou, pouco a pouco, sua confiança. E foi ele que teve coragem de lhe perguntar por que ela havia parado de sonhar. E, mais que isso, passou a mostrar à bela princesa que tornar o mundo dos sonhos realidade é possível. Mostrou-lhe os campos floridos nos arredores do sul do reino, o pôr-do-sol além do lago, os aromas e sabores que a vida possuía.

Então ela se deu conta da sua condição de linda princesa. E passou a sonhar novamente.

A princesa lembrava, contudo, do cavaleiro Pardo que vivia próximo aos grandes castelos de pedra do centro do Reino, a quem estava prometida há anos. Aconteceu que o cavaleiro Pardo passou a perceber que sua prometida estava distanciando-se dele. Mandou então seus servos enviarem grandes flores coloridas para a princesa, e mandou as entregar justamente próximo da aldeia onde o cavaleiro veneziano vivia. Avisada do presente quando ainda passeava pelos campos com o cavaleiro veneziano, ela retornou com ele para a aldeia e lá recebeu as flores. Correu então, confusa e envergonhada, de volta até seu Castelo. Vendo aquilo, o cavaleiro veneziano não pensou duas vezes. Selou seu cavalo e correu ao encontro da princesa, de onde gritou por seu nome ao chegar. Quando a princesa abriu as portas do castelo, ele não teve dúvidas: beijou-a como nunca havia antes a beijado, nem a nenhuma outra pessoa em toda a sua vida. E assim continuou beijando-a enquanto subiam todas as escadas do castelo até chegar à parte onde a princesa morava. Lá, tomando-a novamente nos braços, olhou-a fixamente nos olhos e disse:

- “Eu conheci uma linda princesa de olhos tristes que havia deixado de sonhar. No início nada mais queria que não simplesmente ajudá-la a devolver a alegria de viver, assim como outros de seus queridos amigos e amigas procuravam fazer aqui neste canto perdido do reino. Mas me encantei com esse brilho no olhar, esse sorriso de menina que esconde alguém tão especial por trás. E eu quero que você continue a acreditar que sonhar é bom. Eu quero você, princesa, eu vou te ter para mim.”

E a história continuou, belamente. Mas o resto dela fica para um próximo post. Aguardem.

Then sun shines

Publicado originalmente em 21/10/2008
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Essa semana realmente vôou!! Agora estou me preparando para viajar para Fortaleza em um congresso – nossa como estava precisando desses dias de férias!! Sábado estou embarcando para a Praia do Futuro, suco de cajá, passeio de buggy, Beach Park, Dragão do Mar, forró, Praia das Fontes... e o pôr-do-sol na ponte metálica, como na foto acima. Mas principalmente esse último eu vou deixar para ver só a partir de segunda-feira... =]
Sábado e domingo vão ser divertidos com certeza, mas na segunda quando toda a turma que vem ao congresso chegar, aí sim quero só ver a bagunça...hehehehe
Bom, vou indo lá. Como despedida do blog nos próximos dias, fica a música que havia prometido algumas semanas atrás – Sunshine, do Harem Scarem (sim, de novo eles, hehe)

When I feel alone I need to find the energy
That I feel when I'm with you
Holding on to everything that I can reach
That I think is part of you

Over and over
When my fears have won
And I feel I'm losing you
Ooh you're making me feel
Like a day that'll never see dawn

Then sun shines
And I feel I can deal with the worst of it
It's a slow ride
And I know I'm not alone
In your sunshine

No reason to reveal the light if I don't see
When I seem obsessed with you
Reeling in elusive fish that I don't need
When it seems I needed you