21 de março de 2009

Sinal dos tempos?

Diferente da maioria da população brasileira, eu sempre me interessei muito por política. Acho engraçadas as pessoas que dizem que não estão nem aí para política, para os políticos, etc. Ainda que estes últimos nos encham de motivos de descrença, como ignorar algo que é responsável pelo funcionamento de tudo que está à nossa volta? Estradas, hospitais, educação, saneamento, segurança, tudo depende das políticas públicas do Estado que as pessoas ignoram!!! Não parece um contra-senso? Além do mais, “política” é algo que construímos dia-a-dia em todas as nossas relações humanas. Portanto cuidado quando escuta alguém dizer que “ignora” completamente qualquer coisa relativa ao assunto.
Feita essa breve introdução, este texto foi motivado por uma foto e reportagem que vi, se não me engano, dias atrás no site do jornalista Paulo Henrique Amorim. Mostrava uma foto dos presidentes Lula e Obama. Talvez poucas pessoas notem como é emblemática essa foto. São dois presidentes de duas importantes nações do cenário geopolítico mundial. Um afro-descendente com sobrenome muçulmano e um ex-operário. Há dez, vinte anos atrás, seria possível imaginar essa situação? Certamente que não.
Esse sinal de “novos tempos” nas políticas brasileira e norte-americana fica ainda mais evidente se compararmos encontros de presidentes dos dois países em tempos passados. Fazendo uma rápida pesquisa no Google Imagens, pude encontrar alguns desses registros.

Na primeira foto (A), Harry Truman, ex-fazendeiro e ex-presidente dos EUA que autorizou o lançamento da bomba atômica em Hiroshima, e que implementou o macartismo, na foto junto de Eurico Gaspar Dutra, ex-marechal do exército e ex-presidente do Brasil; Em (B), Geoge Bush pai, grande empresário e presidente mentor da Guerra do Kuwait ao lado de Fernando Collor de Mello, também empresário e o jovem, bonito e promissor político que venceu o “sapo babudo” para depois sofrer impeachment. Na foto (C), Ronald Reagan, ex-ator de western hollywoodiano, e o “imortal” José Sarney, ex-presidente e hoje um dos homens fortes do “exemplar” Senado brasileiro. Por fim, FHC e Bill Clinton, este advogado, aquele sociólogo. Clinton e Fernando Henrique foram considerados bons presidentes pela maioria dos eleitores, mas coincidentemente ambos não conseguiram eleger seus sucessores. Além disso, eram figuras claramente identificadas com uma parcela muito aristocrática da sociedade. Clinton foi governador por 5 mandatos do conservador estado sulista do Arkansas. FHC, por sua vez, desfruta até hoje de prestígio de setores muito bem definidos da elite político-econômica paulistana.
Obama e Lula têm origens diferentes e distintas, mas ainda sim impactantes. O atual presidente dos EUA é filho de um economista negro queniano e uma antropóloga americana branca. Embora não seja diretamente descendente de escravos, sua esposa é, e ele leva consigo essa imagem-símbolo. Lula, sim, tem uma origem humilde, bem conhecida de todos, e foi eleito, também, muito em cima dessa história pessoal.
Obama. Lula. Mulheres assumindo o poder (como na Argentina), a China se abrindo para a economia de mercado. Novos ares nessa nossa grande aldeia global? Mudanças de visão? Não em todo, bem sabemos (Irã, Israel, Rússia...), mas uma boa amostra está aí, para quem quiser ver. O mundo mudou muito após a queda do muro de Berlim, da revolução da tecnologia de informação. São as gerações X e Y assumindo o leme da história, no lugar das gerações baby boomers filhas da guerra fria pós-45.

2 comentários:

Dani Francisco disse...

Tinha que ser o Daniel. Muito bem, vai ganhar um biscoitinho! hehe Ótimo texto, Dani.

Francieli disse...

Oi Daniel... vez por outra leio o seu blog. Acho seus textos muito legais. Esse último... concordo em gênero, número e grau. Abraço, Fran.